Krajisnik é preso por crimes de guerra
Associated Press
De Haia
Soldados franceses das tropas de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Bósnia prenderam ontem Momcilo Krajisnik, ex-lugar tenente de Radovan Karadzic, o mais procurado de todos os ex-líderes sérvio-bósnios acusados de genocídio, crimes contra a humanidade e graves violações da convenção de Genebra.
Os soldados invadiram a casa de Krajisnik em Pale (Bósnia), depois de dinamitar o portão de entrada. Apontado como o mais importante ex-dirigente sérvio-bósnio capturado até agora, Krajisnik será submetido a julgamento pelo Tribunal Penal Internacional para crimes de guerra na ex-Iugoslávia, com sede em Haia, Holanda.
Krajisnik, de 55 anos, é acusado de cometer todos os crimes de guerra citados no estatuto do tribunal para a ex-Iugoslávia, inclusive genocídio, em um indiciamento impetrado secretamente pela promotora-chefe Carla del Ponte em fevereiro para que o suspeito não soubesse que o tribunal procurava por ele.
Krajisnik é acusado de ser o principal estrategista, ao lado de Karadzic, de uma série de massacres de civis visando a forjar um estado sérvio etnicamente puro na Bósnia.
Estão catalogados dezenas de vilarejos destruídos e o massacre de centenas de pessoas. Os crimes teriam sido cometidos com base em uma estratégia descrita como uma lista incompleta. São também denunciados 11 campos de concentração onde não-sérvios eram detidos, torturados, executados ou deportados.
A condenação máxima para o acusado seria a prisão perpétua. Ele deverá ser levado perante a corte no fim desta semana. Krajisnik é o 18º suspeito preso pela aliança militar atlântica por ordem do tribunal, estabelecido há sete anos para perseguir os responsáveis pelas atrocidades cometidas nos Bálcãs após a desintegração da Iugoslávia, em 1991.
Momcilo Krajisnik, ex-principal conselheiro de Radovan Karadzic, preso ontem pela Força Internacional de Estabilização da Otan na Bósnia (SFOR), se opôs vigorosamente à conclusão do acordo de paz de Dayton, que pôs fim à sangrenta guerra da Bósnia, que se prolongou de 1992 a 1995.
Este economista, de 55 anos, que sempre questionou a validade do acordo de paz, reprovou o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, um dos que assinaram o tratado.
Durante a guerra, Krajisnik ocupou o cargo de presidente do parlamento sérvio-bósnio, controlado pelo Partido Democrático Sérvio (SDS, ultranacionalista), de Karadzic.
Em 1996, foi eleito membro da presidência tripartite da Bósnia, cujas reuniões menosprezou frequentemente. Permaneceu no cargo até as eleições de 1998, quando foi derrotado pelo sérvio Zivko Radisic. Os sérvios não querem mais viver com os muçulmanos, exigem seu próprio Estado, declarou, certo dia.





