Importantes aliados do ex-presidente Slobodan Milosevic caíram ontem depois que o primeiro-ministro da Iugoslávia e o mais poderoso chefe de polícia do país renunciaram. Foram convocadas eleições antecipadas para o Parlamento da Sérvia.
Kostunica agiu com rapidez para afastar partidários remanescentes de Milosevic. Espera-se que o governo da república sérvia seja dissolvido hoje.
Ontem, Kostunica também estava colocando seus partidários no controle das mais importantes instituições do país, incluindo a polícia, judiciário, bancose companhias estatais.
Um aliado-chave de Kostunica, Zoran Djindjic, também assinalou o interesse do novo governo de estabelecer laços mais próximos com Washington, depois de uma campanha eleitoral na qual ele tentou se distanciar dos Estados Unidos em vista da revolta pública com a campanha de bombardeios do ano passado.
Dois aliados de Milosevic, o primeiro-ministro federal, Momir Bulatovic, e o ministro do Interior sérvio, Vlajko Stojiljkovic – que controlava cerca de 100 mil policiais - renunciaram a seus cargos. Todos os principais partidos sérvios concordaram com a convocação de eleições antecipadas.
A Sérvia abriga mais de 90% dos iugoslavos e quem quer que a governe detém a parte do leão da autoridade do país, que inclui uma outra república, a pequena Montenegro.
Se fossem mantidos o governo e o parlamento sérvios, eles poderiam bloquear muitas das reformas democráticas impulsionadas por Kostunica em nível federal.
Dado o atual apoio popular desfrutado por Kostunica, seus aliados provavelmente conquistarão uma sólida maioria no novo parlamento da Sérvia nas eleições marcadas para dezembro.
O presidente e o parlamento da Sérvia são eleitos separadamente dos postos federais e não estiveram envolvidos nas polêmicas eleições federais de 24 de setembro. O presidente sérvio, Milan Milutinovic, e outros líderes do governo da Sérvia foram eleitos em 1998 para um mandato de quatro anos.
Entretanto, aliados linhas-duras de Milosevic não concordaram com todas as exigências visando desmantelar o governo sérvio.
Depois de notícias iniciais dando conta que o governo sérvio estava renunciando imediatamente, linhas-duras disseram mais tarde que pretendem permanecer no poder até as novas eleições.
‘‘Isto é um roubo na auto-estrada’’, disse Vojislav Seselj, o ultranacionalista vice-premier da Sérvia. ‘‘Vocês não terão nossa bênção para um golpe’’, afirmou ele. Seselj acusou forças pró-democracia de usarem ‘‘métodos de linchamento’’ para forçar a saída de rivais.
Enquanto deixava o parlamento da Sérvia, Seselj foi cercado por uma multidão irada. Um de seus guarda-costas deu um tiro para o alto, e um fotógrafo foi socado e chutado na cabeça por um guarda-costas. Ninguém ficou seriamente ferido.