Quando se instalar em sua cadeira de primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, que chega com sua imagem de liberal redutor implacável dos gastos públicos e grande saneador do sistema bancário, terá de moderar suas pretensões, estimaram os economistas. A opinião pública que o apóia por seu carisma e sua vontade de romper com os jogos de poder em seu partido, o Liberal Democrático, espera propostas para fortalecer uma economia à beira da recessão. Entretanto, o programa do primeiro-ministro Koizumi certamente será muito diferente do que apresentou como candidato.
Durante a campanha, o pretendente à presidência do PLD havia pedido aos japoneses que aceitassem um ou dois anos de vacas magras e um crescimento negativo em troca de uma profunda reorganização da economia. O problema é que os japoneses, segundo as pesquisas, não estão dispostos a tantos sacrifícios e esperam que o Estado reative o crescimento, com a condição de que os recursos públicos sejam bem utilizados. Sensível a esta indicação, o futuro chefe do governo já moderou seu discurso. Agora Koizumi ‘‘tende a compartilhar a visão segundo a qual deve ser assegurada primeiro a reativação econômica e esperar dois ou três anos antes de botar as finanças em ordem’’, estimou o economista Peter Morgan.
O certo é que o novo primeiro-ministro terá de encarar uma série de problemas urgentes: a irregularidade da bolsa, o risco de uma deflação e principalmente os empréstimos pouco claros dos bancos.
Em princípio, Koizumi afirmava que os bancos deviam livrar-se de todos os empréstimos pouco seguros em dois ou três anos, inclusive provocando falências entre seus devedores e o consequente aumento do desemprego. Mas terá de modificar esta linha se quiser manter-se no poder.

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