France PresseCautelaComissões de desarmamento da ONU começaram a deixar Bagdá ontemO Presidente norte-americano, Bill Clinton, e o Primeiro-Ministro britânico, Tony Blair, reiteraram ontem em Washington sua ‘‘determinação’’ de usar a força contra o Iraque, se o Chefe de Estado iraquiano, Saddam Hussein, não permitir o acesso dos especialistas da ONU a todos os locais proibidos. O chanceler alemão Helmut Kohl também anunciou ontem o seu apoio a Clinton em sua cruzada contra o Iraque
Clinton e Blair fizeram a nova advertência a Saddam durante o tradicional discurso pela rádio que Clinton faz todos os sábados. ‘‘Os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão determinados a impedir que Saddam Hussein ameace outra vez o mundo com armas de destruição em massa’’, afirmou Clinton, que fez a introdução e a segunda parte do discurso com Blair.
Se Saddam se negar a permitir aos especialistas em desarmamento da ONU ‘‘acesso total e livre’’ a todos os locais proibidos, ‘‘devemos estar preparados para agir, e estamos’’, declarou usando as mesmas palavras utilizadas na véspera em uma entrevista coletiva concedida junto com Blair. ‘‘Ninguém deve duvidar de nossa determinação’’, afirmou.
O discurso foi gravado anteontem à noite na Casa Branca, antes de ambos deixarem Washington para passar a noite em Camp David, a residência campestre dos presidentes dos Estados Unidos, junto com suas esposas Hillary Clinton e Cherie Blair.
‘‘Buscamos todas as opções diplomáticas que estejam abertas, mas se fracassarem e a força se converter no único meio de submetê-lo, então deveremos usar a força’’, declarou Blair, referindo-se a Saddam Hussein.
‘‘Se isto acontecer, a Grã-Bretanha estará presente, como esteve no passado’’, acrescentou, antes de afirmar que estava totalmente ao lado de Clinton ‘‘na determinação de forçar Saddam Hussein a respeitar o acordo que ele firmou no final da Guerra do Golfo’’, em 1991. O dirigente iraquiano representa uma ‘‘ameaça para a paz e estabilidade mundiais’’, afirmou Blair.
O premier britânico garantiu que a atual atitude de Saddam é ‘‘potencialmente muito mais perigosa’’ do que sua invasão ao Kuwait, em agosto de 1990, que originou a Guerra do Golfo.
O Chefe do Governo Federal alemão, Helmut Kohl, anunciou ontem seu ‘‘total apoio’’ político aos Estados Unidos na crise com o Iraque, durante a conferência internacional sobre defesa, que reúne em Munique cerca de 20 ministros da Defesa e das Relações Exteriores.
‘‘Nossas bases aéreas estarão à disposição dos Estados Unidos. Vamos nos mostrar solidários porque é preciso que os norte-americanos sintam a solidariedade’’ de seus aliados, acrescentou.
Ao referir-se à possibilidade de ataques aéreos ao Iraque, Kohl declarou: ‘‘Se nossos amigos norte-americanos assumirem esta responsabilidade, merecem total apoio no plano político’’.
A situação geral é ‘‘perigosa’’, com um ‘‘risco que implica o domínio de toda uma região’’ no mundo, insistiu o chanceler, para quem o Presidente Saddam Hussein ‘‘nunca foi um interlocutor aceitável’’ devido ao ‘‘caráter criminoso’’ de seu regime.

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