NOVA YORK - A sede da ONU em Nova York passará por ‘‘certas mudanças’’ e os franceses ganharão um posto de secretário-geral adjunto, informou ontem Kofi Annan, novo secretário-geral eleito da Organização.
Numa entrevista à imprensa em Nova York, o sucessor do egípcio Butros Butros Ghali anunciou sua intenção de aumentar o rodízio nos postos de responsabilidade da ONU, de forma que nenhum governo possa ‘‘herdar’’ automaticamente um posto.
Geralmente, os países com postos de responsabilidade na ONU pensam colocar outro funcionário de seu país quando alguém sai. ‘‘Os postos não deveriam ser hereditários’’ - disse Annan.
‘‘Os franceses ganharão um posto de secretário-geral adjunto, mas ainda não está decidido qual’’, afirmou o diplomata ganense.
Em 1º de janeiro próximo, Annan substituirá o egípcio Butros Butros-Ghali.
Equipe de transição O secretário-geral designado das Nações Unidas, o ganense Kofi Annan, nomeou ontem uma ‘‘equipe de transição’’ de dez membros que deverá preparar o terreno antes de sua posse, segundo um comunicado do próprio Annan.
Integram a equipe, além do chileno Federico Riesco, encarregado das questões de pessoal, três norte-americanos, uma francesa, um indiano, um paquistanês, um mauriciano, um gambiano e uma etíope.
Ontem, o novo secretário-geral da ONU pediu aos 185 Estados membros das Nações Unidas para que não deixem a organização ‘‘decair, perder o vigor ou se apagar’’, pois a ONU deve, a partir de agora, colocar-se a serviço dos ‘‘abandonados pela mundialização’’.
Em um discurso lido após sua nomeação formal pela Assembléia Geral da ONU, Kofi Annan apresentou-se como o homem da mudança.
Dificuldades A escolha de Kofi Annan não foi muito simples, quase provocando um novo conflito, restaurando não só a disputa Oriente-Ocidente (a Rússia insistia em defender novo mandato para o egípcio Butros-Ghali, enquanto os Estados Unidos anunciavam que não o aceitariam no cargo por mais 5 anos) mas também pondo mais lenha na disputa entre norte-americanos e franceses. E a França só acabou aceitando a eleição de Annan porque o diplomata, embora não pertencendo a um país que tenha sido colônia francesa, fala fluentemente o francês.

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