Buenos Aires O peronista progressista Néstor Kirchner será presidente da Argentina, com mandato até 2007, depois da recusa de seu adversário neoliberal Carlos Menem de disputar o segundo turno presidencial no próximo domingo.
Menem (72 anos) anunciou, ontem, oficialmente, em sua província natal de La Rioja a renúncia em competir no segundo turno, o que torna Kirchner (53 anos) presidente eleito, de acordo com o Código Nacional Eleitoral.
A renúncia O ex-presidente e candidato peronista neoliberal Carlos Menem anunciou, ontem, que desistiu de se apresentar ao segundo turno presidencial na Argentina.
''Não existem condições para a disputa do segundo turno. Venci o primeiro turno e me vou. Triunfamos contra todos (no primeiro turno)'', disse Menem numa breve declaração ao aparecer nos jardins da residência do governador da La Rioja, sua província natal.
Menem (72 anos) desafiou Kirchner a ''ficar com os 22%'' obtidos no primeiro turno, enquanto disse que ele ficaria com o povo.
Kirchner acusa O futuro presidente argentino, Néstor Kirchner (progressista), acusou ontem seu adversário Carlos Menem de ''covarde'' e de ''fugir'' ante a anunciada renúncia de disputar o segundo turno das presidenciais argentinas.
''(Menem) deu um golpe na democracia. Quer roubar o direito ao voto dos cidadãos. Minha geração recorda outros golpes à democracia, mas o inédito é que nesta oportunidade a tentativa venha de um ex-presidente constitucional'', disse Kirchner em entrevista num hotel no centro de Buenos Aires.
Novo gabinete O futuro presidente da Argentina Néstor Kirchner analisava na noite de terça-feira a formação de seu futuro gabinete, diante da possível, até aquele momento, renúncia do ex-presidente Carlos Menem em disputar o segundo turno das eleições.
O objetivo de Kirchner é formar um gabinete de ''unidade nacional'' e para tal ele aceitaria convocar ''pelo menos um dirigente'' do partido Afirmação para uma República Igualitária (ARI), da deputada e ex-candidata Elisa Carrió, e outro do partido do ex-ministro da Economia e também ex-candidato à presidência López Murphy, indicaram fontes ligadas ao candidato.
Isto significaria modificar a idéia original que Kirchner tinha de seu gabinete, em que pretendia incluir apenas representantes de sua própria corrente e ligados ao presidente Eduardo Duhalde, com o atual ministro da Economia, Roberto Lavagna, à frente.
''Os contatos estão ocorrendo de forma permanente com as duas correntes (...), porque a proposta seria compartilhar responsabilidades diante deste novo cenário'', revelou a fonte.
Comentário de Duhalde O presidente argentino Eduardo Duhalde afirmou ontem que Néstor Kirchner será ''um dos presidentes com maior apoio'' e não quis tecer muitos comentários sobre a renúncia de Carlos Menem.
Em breves declarações à imprensa depois de um encontro na secretaria da Cultura, Duhalde expressou sua convicção de que quando assumir, no dia 25 de maio, ''Kirchner será um um dos presidentes com maior apoio''.

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