Kirchner prepara o novo Governo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de maio de 2003
France Presse 
Buenos Aires O presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, trabalhava ontem na composição de seu gabinete com o objetivo de ampliar sua base de apoio com eventuais nomes extrapartidários, num momento em que ainda repercute o abandono de seu adversário, Carlos Menem, do segundo turno eleitoral, que seria realizado no próximo domingo.
Nos últimos dias, Kirchner se reuniu com seus colaboradores mais próximos para examinar as maneiras de fortalecer o apoio com o qual chega ao poder, já que no primeiro turno ele recebeu apenas 22,24% dos votos e os analistas políticos destacam a necessidade de aumentar sua base de sustentação inicial
No entanto, o ex-chefe de campanha de Kirchner e candidato a integrar o futuro gabinete, Alberto Fernández, insistiu ontem que ''a governabilidade não corre risco'' e lembrou os resultados das últimas pesquisas, que apontavam uma vitória esmagadora do governador da província de Santa Cruz.
''irchner não é um presidente que assume com um apoio de 22%, é um presidente que teve tanto apoio que seu adversário não se animou a competir com ele'', disse Fernádez, que também recordou que nas pesquisas Kirchner aparecia com ''entre 70 e 75% de adesão''.
''Menem é o exemplo de alguém que decidiu suicidar-se para não conhecer a morte'', disse, ao comentar a desistência do ex-presidente, que confirmou na noite de quarta-feira sua decisão, depois de manter os argentinos em suspense por vários dias em meio aos boatos de sua renúncia.
Uma pesquisa do instituto IPSOS-Mora y Araujo, publicada pelo jornal La Nación, ontem, mostra Kirchner como o político argentino que possui a melhor imagem ante a sociedade (46%), bem à frente de Menem (15%).
O primeiro presidente eleito nascido na região da Patagônia deseja ampliar sua base de apoio não somente com representantes de outros setores do peronismo (profundamente dividido depois do primeiro turno, no qual o partido apresentou três candidatos), mas também com políticos independentes e extrapartidários.
''Primeira cidadã'' A senadora Cristina Fernández, mulher do presidente eleito Néstor Kirchner, afirmou que não será ''pra imeira dama mas a primeira cidadã'' da Argentina, dizendo-se animada para enfrentar o desafio.


