Kirchner endurece relação com o Brasil
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Ariel Palacios<br> Agência Estado 
Buenos Aires - O governo do presidente Néstor Kirchner, que há meses mantém um estado de tensão com o Brasil, teria definido que chegou a hora de ''endurecer'' mais ainda sua posição na relação com seu principal parceiro comercial e estratégico.
Com intensa dor de cotovelo causada pelo protagonismo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na recente crise política do Equador, Kirchner homem de ego anabolizado poderia faltar à reunião de cúpula entre países da América do Sul e árabes que será realizada na semana que vem em Brasília.
Dias atrás, interpelado em um encontro com correspondentes estrangeiros, o chanceler Rafael Bielsa havia confirmado a presença do presidente argentino na capital brasileira. Mas ontem, fontes da Casa Rosada, a sede do governo argentino, informaram que, embora a viagem esteja ''agendada'', a presença de Kirchner ''ainda não estava confirmada''.
Segundo fontes citadas pelo jornal ''Clarín'', o grupo analisou a aplicação de um ''endurecimento'' das relações com o governo Lula. O jornal indica que Kirchner estaria ''cansado'' dos ''obstáculos econômicos colocados pelo Brasil''.
Neste caso, Kirchner exige desde setembro passado ao governo brasileiro a implementação de um sistema de salvaguardas comerciais dentro do Mercosul. Com este mecanismo, ele poderia aplicar medidas protecionistas para impedir o que denomina de ''invasão'' de produtos ''made in Brazil''.
Ontem à tarde, o chanceler também disparou alfinetadas contra o Brasil ao afirmar que antes de pensar no desenvolvimento da Comunidade Sul-Americana de Nações criada com a bênção do governo Lula e vista com reticência por Kirchner é preciso ''resolver o déficit institucional do Mercosul''.
Além da inveja pela crescente liderança do Brasil na região, Kirchner torpedeia as aspirações brasileiras de ter uma vaga permanente no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU).
Extraoficialmente, no âmbito político em Buenos Aires afirma-se que Kirchner, diante da ostensiva presença do governo Lula em diversos frentes, teria reclamado: ''Se há um posto vazio na OMC, o Brasil o quer; se há um lugar na ONU, o Brasil o quer; se há um lugar na FAO, o Brasil também o quer para ele. Eles até queriam ter um Papa brasileiro!''


