Buenos Aires - O presidente argentino, Néstor Kirchner, admitiu ter sofrido ''várias ameaças'' aparentemente como consequência de sua ofensiva contra a corrupção policial, segundo declarações publicadas no jornal Clarín.
''Várias vezes recebi ameaças'', disse Kirchner, na noite de sexta-feira na Casa Rosada (sede do governo argentino), a um jornalista.
A afirmação confirmou declarações anteriores de dirigentes do movimento piqueteiro, formado por organizações de pobres e desempregados, que entrevistaram o chefe de Estado argentino mais cedo.
''Ele nos disse que pensava seguir a fundo a investigação sobre a Polícia de Buenos Aires (o maior distrito do país), mas que estava recebendo muitas pressões e ameaças'', afirmaram os dirigentes Juan Carlos Alderete e Luis D'Elía.
Há três dias, Kirchner pôs em marcha o ''Plano Antiimpunidade'' contra a insegurança, dizendo-se ''decidido e sem volta'' em sua urgência de ''purificar as forças policiais'' de elementos corruptos ou diretamente envolvidos em delitos.
Na quinta-feira, o chefe do gabinete argentino, Alberto Fernández, advertiu que a corrupção na polícia da província de Buenos Aires, a maior força de segurança do país, ''não pode se manter um minuto mais'', em meio a suspeitas do envolvimento de agentes em uma onda de sequestros e outros crimes.
A Argentina atravessa um problema grave em matéria de segurança, sobretudo na populosa periferia da cidade de Buenos Aires, onde no último semestre ocorreu uma média de mais de um sequestro por dia.
Logo que assumiu o governo, o presidente da Argentina Néstor Kirchner, defendeu a idéia de que seria necessário que também os governos dos países vizinhos ''tivessem empenho semelhante'' numa ação contra a corrupção policial.

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