Buenos Aires - O presidente argentino, Néstor Kirchner, afirmou ontem que continuará conversando com o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ''em defesa dos interesses da Argentina''. ''Vou continuar discutindo com o Brasil, vou continuar discutindo com o Fundo. Podem falar o que quiser, mas o que me interessa é que a Argentina vá adiante'', disse Kirchner, durante uma cerimônia na Casa de Governo.
O presidente respondeu assim a críticas da imprensa e analistas locais que achavam que ele deveria amenizar o tom das críticas. ''Se brigo com o FMI, sou mal-educado. Eu luto pelos interesses da Argentina'', destacou o chefe de Estado.
O discurso de Kirchner coincide com o início de uma nova fase de negociações com o Fundo para um novo acordo. Quarta-feira, a diretoria do FMI adiou em um ano vencimentos da dívida argentina no valor de US$ 2,508 bilhões, mas a instituição voltou a fazer exigências para firmar um novo acordo com o governo Kirchner.
Entre elas, a Argentina tem de elevar as tarifas dos serviços públicos para compensar as empresas privadas do setor pela desvalorização do peso em 65% desde 2002. ''Se discuto com o Brasil, é uma irreverência. Sempre é o outro que tem razão, os argentinos nunca têm razão. Quando vamos valorizar o que é próprio dos argentinos?'', acrescentou o presidente.
A Argentina possui diferenças com o Brasil, os maiores sócios do Mercosul, nos assuntos relacionados ao comércio bilateral e às ''pretensões do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em assuntos internacionais''.

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