Buenos Aires - A estabilidade da composição do governo do presidente argentino, Néstor Kirchner, não resistiu à pressão dos constantes e cada vez mais frequentes protestos sociais na capital Buenos Aires.
Depois de 14 meses sem mudanças na equipe original do governo, um recorde desde a redemocratização do país, em 1983, Kirchner afastou o ministro da Justiça, Gustavo Beliz, por desentendimentos sobre como lidar com os chamados piqueteiros.
A demissão foi o desfecho de discussões internas que ganharam força depois do ataque de grupos de esquerda, travestis e piqueteiros contra a Legislatura da capital, há duas semanas. Na ocasião, o presidente deu ordens para que a policia não reprimisse o ato.
Com as fortes críticas da oposição e de setores da classe média à ação do governo, considerada branda, Kirchner ordenou que 800 policias fossem convocados para manter a ordem durante novo ato na frente da Legislatura, onde seria votado o Código de Convivência do distrito federal.
A manifestação ocorreu na quinta, sem incidentes. Mas o governo voltou a ser criticado porque os policiais, por ordem de Kirchner, estavam desarmados.
No dia seguinte, Kirchner demitiu o chefe da Policia Federal, general Eduardo Prados, que manifestou-se contra a decisão de desarmar a policia. Beliz saiu em defesa de sua equipe e acabou sendo demitido por fazer acusações contra aliados do presidente.
Kirchner evita usar violência contra os manifestantes. Para o analista Enrique Zuleta Puceiros, ele quer evitar mortes que criem heróis e aumentem os crescentes protestos.

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