Buenos Aires- O peronista social democrata Néstor Kirchner se tornará, amanhã, um dos poucos presidentes argentinos da história a deixar o poder com popularidade em alta, sem expulsão, sem golpe, sem fracasso, e ainda com uma imagem superior à de sua sucessora, a primeira-dama Kirchner.
''Ela tem uma grande tarefa. Ela precisa de apoio para fazer o melhor dos governos. É tempo de ela ser presidente. Eu estou aqui para acompanhá-la'', disse o chefe de Estado na última entrevista à TV antes de repassar o cargo à presidente-eleita.
Horas antes, o instituto de pesquisa privado Ibarómetro havia revelado que a imagem positiva de Kirchner, de 57 anos, é de 55,3%, mais do que os 50,4% de sua esposa. Sem contar as pesquisas, é difícil encontrar um caso como o de Néstor Kirchner nos últimos 90 anos.
Desde 1916, quando o voto universal e obrigatório foi instituído, somente três presidentes entregaram o poder após cumprir o mandato, mas com popularidade manchada.
Além disso, os dois únicos reeleitos, Juan Perón (1952) e Carlos Menem (1995), também não tiveram finais felizes.
Perón foi derrubado por um sangrento golpe de Estado em 1955 e Menem deixou o governo em 1999 acusado de liderar um grupo de traficantes de armas, entre outras graves acusações judiciais, em meio a uma brutal recessão econômica.
Os demais presidentes tiveram de renunciar antes de cumprir o mandato, morreram no exercício do poder, como Perón, em 1974, ou foram expulsos da Casa Rosada por militares. No caso de Kirchner, entretanto, ninguém o vê indo embora para casa.
Durante o governo de Kirchner, a economia argentina cresceu em média 9% ao ano, com fortes reduções dos índices de pobreza e desemprego, embora continuem altas para o país.

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