Kirchner assume a presidência
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domingo, 25 de maio de 2003
France Presse 
Buenos Aires Néstor Kirchner, um peronista progressista de 53 anos, assumiu ontem a Presidência da Argentina com arecebendo uma pesada herança de pobreza e endividamento, em um país que emerge da pior crise em sua história. Kirchner assumiu às 14h55 locais (mesmo horário em Brasília), durante uma cerimônia no Congresso, na presença de 13 chefes de Estado latino-americanos.
Kirchner prestou juramento e Eduardo Duhalde, outro peronista, entregou-lhe o bastão e a faixa presidenciais. Neste momento, Kirchner foi aplaudido pela platéia.
Centenas de argentinos concentravam-se desde o meio-dia em frente à sede do Legislativo, num domingo ensolarado na capital argentina. ''Força, Kirchner!'', era a frase mais vista entre as dezenas de cartazes que os militantes peronistas exibiam.
A vice-presidência foi assumida por Daniel Scioli, que era secretário particular provisório do Senado, segundo determina a Constituição.
Kirchner tomou posse com o compromisso de enfrentar a pobreza em que vivem 20 milhões dos 36 milhões de argentinos, com quase um terço da força de trabalho passando por graves problemas de emprego.
Compromisso O presidente Néstor Kirchner afirmou ontem que a Argentina honrará seus compromissos financeiros, mas destacou que ''não se pode voltar a pagar a dívida às custas da fome e exclusão dos argentinos, gerando mais pobreza e conflitos sociais''.
''Não se trata de não cumprir os compromissos com a dívida, mas tampouco podemos pagar às custas de adiar a educação e saúde dos filhos dos argentinos'', disse Kirchner em seu discurso de posse.
O novo presidente defendeu ''o equilíbrio fiscal, devido ao qual não se pode gastar mais do que entra (...) crescendo nossa economia, crescerá nossa capacidade de pagamento da dívida''.
Papel do Estado Néstor Kirchner, disse, ainda, que o Estado cumprirá ''um papel central'' no desenvolvimento do país e na promoção de um ''capitalismo nacional'', frente ao neoliberalismo hegemônico nos anos 90.
Em seu discurso assinalou que este capitalismo nacional promoverá ''a mobilidade social'', e indicou que ''não se trata de se fechar para o mundo, e sim de assumir um compromisso com a nação''. ''Os problemas da pobreza não são resolvidos com políticas sociais, e sim com políticas econômicas'', assinalou Kirchner.
Diante dos 13 presidentes latino-americanos que assistiram à posse, Kirchner disse que ''o Mercosul e a integração devem fazer parte de um verdadeiro projeto político regional (...) A prioridade em política externa será a construção de uma América Latina politicamente estável, próspera e unida com base nos ideais de união'', recebendo aplausos da platéia, a maioria peronista.
O novo presidente disse que a luta contra a corrupção em seu Governo será ''implacável''. E prometeu que seu governo ''acabará com um modo de fazer política e gerir o Estado que vem gerando desilusão constante e desesperança permanente''.


