Kirchner anuncia plano bilionário para empregos
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Folhapress 
Buenos Aires - A presidente argentina Cristina Kirchner respondeu ontem às críticas ao escândalo da pobreza no país com um plano bilionário para a geração de 100 mil empregos e um discurso irônico dirigido à oposição. Sempre nos exigem publicidade sobre os pobres e segredo sobre os ricos. Já observaram isso? É notável, disse Cristina, em discurso transmitido em cadeia nacional de TV.
A expressão escândalo da pobreza, aplicada à conjuntura social argentina, foi empregada neste mês pelo papa Bento XVI e rapidamente encampada pelos líderes ruralistas, que, em disputa com o governo, promoveram locaute em 2008.
Há divergência sobre a quantificação da pobreza no país. O Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), órgão federal sob suspeita de manipular índices, aponta 15,3% de pobres, considerados como indivíduos economicamente ativos cuja renda é insuficiente para pagar a cesta básica de alimentos e serviços.
Por outro lado, a Igreja Católica e fundações privadas estimam que a pobreza atinja aproximadamente 37% da população argentina. Sempre se faz censo dos pobres. Alguém deveria fazer um censo dos ricos na Argentina, para ver qual é a brecha real entre os que mais têm e os que menos têm, disse a presidente, falando de improviso.
Nesse momento, Cristina pareceu ter-se dado conta de que abriu um flanco ao contra-ataque, já que o admitido aumento de 158% no patrimônio do casal Kirchner no último ano se tornou um trunfo da oposição e um tema insistente da imprensa argentina. Ela fez então um adendo: Alguém dirá que o censo (dos ricos) está na Afip (órgão homólogo da Receita Federal), (mas esse é o censo) dos que pagam os impostos, dos que não praticam evasão fiscal.


