France-PresseMonge budista deposita seu voto: eleições conturbadas pela guerrilhaUma facção do grupo guerrilheiro Khmer Vermelho atacou na madrugada de ontem um posto do Exército cambojano em Okong Bich, cerca de 10 quilômetros a oeste de Anlong Veng, bastião da guerrilha dominado pelo governo em abril, matando dez pessoas - sete civis, dois soldados e um guerrilheiro. Cerca de 40 rebeldes fortemente armados invadiram o posto e somente quatro horas mais tarde a situação foi controlada. Apenas dois guerrilheiros foram capturados.
Para o ministro da Defesa, Tera Banh, o ataque foi obra dos membros da facção guerrilheira comandada pelo general Ta Mok, que haviam prometido pôr fim ao processo eleitoral cambojano, fazendo com que as forças do governo fossem redobradas nessa região até o fim dos comícios.
Mas o ataque e o intenso calor não impediu que milhões de cambojanos comparecessem ontem às urnas para as eleições parlamentares no país - as primeiras desde a organizada pelos Estados Unidos em 1993 - na esperança de conseguirem paz e estabilidade.
Cerca de 5,3 milhões de eleitores - quase a totalidade habilitada a votar - haviam comparecido às urnas, segundo observadores internacionais, que monitoravam as eleições.
Nas demais regiões do país, as eleições transcorreram com relativa calma, mas durante a campanha do atual primeiro-ministro, Hun Sen, do Partido Popular do Camboja (PPC), surgiram denúncias de que alguns de seus opositores teriam sido assassinados e a população teria sido intimidada para assegurar sua vitória.
Funcionários da ONU disseram na semana passada que estavam investigando 13 assassinatos supostamente motivados por questões políticas. Durante a campanha eleitoral de 1993, cerca de 200 pessoas foram mortas.
Nenhum dos 39 partidos concorrentes deve obter a maioria das 122 cadeiras da Assembléia Nacional. A possibilidade de coalizões entre o PPC e seus principais opositores, o príncipe Norodom Ranariddh e o ex-ministro das Finanças Sam Rainsy, pode tanto resultar num governo estável como em mais confusão.
Hun Sen perdeu as últimas eleições, mas forçou os vencedores - Ranariddh e seu partido Funcinpec - a nomeá-lo co-primeiro-ministro. O acordo terminou no ano passado quando Hun Sen depôs Ranariddh depois de intensos combates na capital.

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