Khatami quer diálogo com EUA
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segunda-feira, 15 de dezembro de 1997
Reuter Teerã 
Jamshid Bairami/France PresseSEM ARROGÂNCIAO presidente Khatami fala por si, fazendo tremer os radicaisO presidente Khatami foi ontem mais longe do que qualquer outro líder do Irã pós-revolução ao abrir o caminho para um diálogo com os EUA. Depois de uma semana onde fez sua estréia internacional como líder do maior país muçulmano do mundo, Khatami disse que tinha esperanças de ter um diálogo inteligente com o povo americano num futuro próximo.
O clérigo muçulmano xiita de 55 anos de idade quebrou o assunto-tabu das conversas com os americanos, adversários do Irã por duas décadas, ao dizer a repórteres numa entrevista coletiva em Teerã: Eu declaro meus respeitos ao grande povo dos Estados Unidos e espero que num futuro próximo possa ter um diálogo e conversar com o povo da América e que isto não demore muito para acontecer.
Nada dos floreios e referências retóricas agressivas aos Estados Unidos como o Grande Satã e o poder arrogante que coloria os discursos de seus predecessores e ainda estão presentes nos discursos do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei e seus antecessores como Khomeíni.
Ao invés disso, Khatami fez referências repetidas ao grande povo dos Estados Unidos. Khatami, que derrotou seus rivais conservadores nas eleições de maio, reiterou seu desejo pelo diálogo entre as civilizações.
ConciliaçãoMas ele foi evasivo quando questionado a respeito de como esperava que o diálogo acontecesse. E igualmente não foi tão longe a ponto de dizer que haveria contatos entre os dois governos num futuro próximo. O governo dos Estados Unidos é o governo dos Estados Unidos eleito pelo povo. Nós respeitamos a escolha do povo. disse.
No tempo apropriado eu apresentarei minhas palavras ao povo americano. Eu tenho esperanças de um diálogo inteligente com o povo americano e, através deste diálogo inteligente, nós poderemos chegar mais perto da paz e da segurança e da tranquilidade.
Analistas disseram que as observações de Khatami foram as mais conciliatórias de qualquer líder iraniano com relação aos Estados Unidos desde que a revolução islâmica há quase 19 anos derrubou o famoso, play-boy e bon-vivant xá Mohammad Reza Pahlevi, sempre apoiado pelos Estados Unidos - e que acabou indo para a América onde se asilou até o fim da vida.


