Depois de 18 anos de hostilidades, o presidente iraniano, Mohammed Khatami, propôs anteontem uma aproximação entre Irã e Estados Unidos, em entrevista à rede de TV americana CNN. Foi a primeira entrevista de Khatami a uma emissora dos Estados Unidos desde de sua posse, há seis meses.
Gravada na terça-feira, a entrevista foi inicialmente anunciada para as 19 horas de ontem, horário de maior audiência no país. Mas trechos das declarações do presidente iraniano foram divulgados antes da entrevista por funcionários do governo iraniano.
Khatami dirigiu-se em várias oportunidades ao povo americano, afirmando com insistência: ‘‘Os cidadãos das duas nações deveriam caminhar juntos.’ Mas criticou as autoridades americanas, responsabilizando-as pelas ‘‘desavenças’’ entre os dois países.
Ancorado numa imagem de homem culto e sensato, o presidente iraniano já havia impregnado seu discurso na recente cúpula dos países islâmicos, realizada em Teerã, de um tom conciliatório. Defendeu, na ocasião, a necessidade do que classificou de ‘‘diálogo entre nações e culturas’’.
Líder da chamada ‘‘ala modernista do Ir㒒, Khatami enfrenta, no entanto, uma poderosa oposição da corrente ortodoxa, que afasta qualquer possibilidade de composição com os Estados Unidos, chamados de ‘‘Grande Sat㒒. Esse setor tem no aiatolá Ali Khamenei, seu líder.
Para os observadores internacionais, a iniciativa de Khatami é interpretada como mais uma batalha entre modernistas e conservadores. Mas ele tem sido prudente. Em dezembro, quando concordou com a entrevista, deixou claro que se dirigiria apenas aos cidadãos americanos, ‘‘pois seus líderes não estão em sintonia com sua época’’.

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