Bagdá - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez inesperada visita a Bagdá nesta segunda-feira para pressionar pela formação de um novo governo iraquiano, mais inclusivo e capaz de frear o avanço de grupos sunitas ultrarradicais.
Tida como afronta ao premiê xiita Nuri al-Maliki, a posição americana contraria o poderoso vizinho Irã e acirra disputas sobre como responder à ofensiva do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), facção jihadista que já cerca Bagdá ao norte e oeste.
Num encontro descrito como tenso, Kerry condicionou a ajuda americana a ações de Maliki em favor dos sunitas (36% da população), que querem maior participação no governo. "O Iraque enfrenta uma ameaça existencial. [...] Nosso apoio será intenso, se os líderes iraquianos se unirem", disse.
Segundo Kerry, Maliki se comprometeu a acelerar negociações para formar uma coalizão após a inconclusiva eleição parlamentar de abril passado, na qual o premiê não obteve maioria necessária para emendar um terceiro mandato consecutivo.
Os EUA afirmaram que Maliki tem até 1º de julho para anunciar um governo onde sunitas terão espaço. Kerry ressaltou que Washington não esperará pela formação de um novo gabinete caso julgue necessário intervir militarmente para conter os avanços do EIIL.
Ironicamente, foi a invasão americana, em 2003, que acabou com o governo sunita em Bagdá ao derrubar o ditador Saddam Hussein.
Desde então, porém, o sentimento de opressão levou muitos sunitas a se revoltarem contra o novo Estado e, desde o ano passado, a apoiarem o avanço do EIIL no oeste e no norte do Iraque.
No fim de semana, os jihadistas, presumivelmente apoiados por tribos sunitas, tomaram mais cinco cidades e teriam chegado a estabelecer controle sobre as fronteiras do Iraque com a Síria e com a Jordânia.

mockup