Kennedy deixou marco cultural em Washington
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sábado, 01 de setembro de 2001
Jennifer Hoyt<BR>Associated Press 
Há 30 anos, durante um almoço na Casa Branca, o então presidente John F. Kennedy implorou a um grupo de empresários que apoiassem a criação de um centro cultural nacional. A maioria dos países tem instalações imponentes, charmosas, disse, ''mas não temos nada na capital mais importante do mundo''. Hoje em dia, o Centro Kennedy das Artes Interpretativas é um monumento à memória do presidente assassinado e um sólido testemunho do auge cultural de Washington.
Inaugurado em setembro de 1971, o centro de 6,8 hectares junto ao Potomac é um ímã que atrai os artistas mais importantes do mundo. A cada ano, 2 milhões de pessoas assistem a cerca de 3.000 produções no centro. Outros 20 milhões as vêem quando os artistas saem em turnês ou em transmissões via rádio, televisão e Internet. ''Ele situou Washington no mapa como uma meca cultural'', disse Alan Kriegsman, ex-crítico de música e dança do jornal The Washington Post.
Os fãs da arte discordam quanto à intensidade da vida cultural de Washington antes da criação do Centro Kennedy. Alguns falam sobre um ambiente cultural animado pelo Instituto Smithsonian, a Galeria Nacional de Belas Artes, a Orquestra Sinfônica Nacional, a ópera e a Sociedade de Artes Interpretativas. Mas muitos reclamavam naquela época da falta de teatros, salas de shows e óperas, fazendo de Washington uma cidade pouco atrativa do ponto de vista cultural. ''A cidade precisava de instalações projetadas para receber a classe de espetáculos que se produzia'', conta Norman Scribner, fundador e diretor da Sociedade de Artes Corais de Washington.
O Centro Kennedy preencheu este vácuo. Bailarinos como Mikhail Barishnikov, atrizes como Julie Harris e cantores como Beverly Sills se apresentaram no centro. Produções de teatro, música e dança chegaram à cidade e melhoraram a qualidade, a quantidade e a diversidade dos espetáculos, opina Kriegsman. ''Ficou a impressão de que o nível da atividade artística havia subido muitos degraus na escada da qualidade'', acrescentou.
Apesar do sucesso, os últimos anos não foram fáceis para o centro, que em 9 de setembro completará seu 30º aniversário com um festival gratuito. Ele foi criticado de ser elitista e estar a serviço de quem tem dinheiro. Várias avenidas separam o complexo do centro da cidade. Não há estação de metrô próxima. Porém, o Centro Kennedy oferece ônibus gratuitos da estação de metrô mais próxima e existem planos de se reformar seus arredores para que se possa chegar a pé desde o centro de Washington, a quase um quilômetro de distância.
''Uma grande nação é nutrida tanto pela arte quanto pela política'', escreveu Jacqueline Kennedy Onassis no programa inaugural há 30 anos. ''O Centro Kennedy não existe somente para Washington. Existe para toda a nação.''


