Kasparov descobriu os defeitos do Deep Blue
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de maio de 1997
France Presse 
NOVA YORK - O russo Garry Kasparov, campeão mundial de xadrez, admitiu ontem ter encontrado alguns defeitos no Deep Blue, depois de ter derrotado sábado à noite o supercomputador IBM, na primeira de uma série de seis partidas. Em relação à Filadélfia o assunto é diferente, declarou Kasparov depois da vitória, enquanto o público o aplaudia de pé na sala do Equitable Center de Nova York, onde acontece o encontro homem versus máquina. Ele fez alusão, assim, à primeira partida que perdeu em 1996 na Filadélfia para o mesmo adversário eletrônico.
Um ano depois, Kasparov não se deixou surpreender, jogando prudentemente, e evitando toda a complicação tática. O russo, que se apresenta como o campeão do gênero humano ante o computador, preparou longamente este duelo contra seu adversário eletrônico, um aparelho de 1,4 tonelada, com 256 processadores que trabalham em paralelo, e capazes de avaliar 200 milhões de posições por segundo.
A força bruta do Deep Blue, apelidado Deeper Blue pois calcula duas vezes mais rápido que no ano passado, é impressionante no plano tático, mas os defeitos assinalados por Kasparov são, segundo os técnicos, a incapacidade do computador de avaliar corretamente algumas jogadas muito complexas, para as que o campeão do mundo usa de intuição e de sua compreensão estratégica do jogo.
As opiniões dos técnicos são ainda um tanto quanto divergentes; serão necessárias muitas horas de estudo nos próximos dias para uma opinião mais clara. A segunda partida, das seis previstas, começou ontem às 16 horas.


