Hamid Karzai, futuro chefe do governo interino em Cabul, chegou ontem a Kandahar, no sul do Afeganistão, para tentar resolver os conflitos surgidos depois da queda dos talebans. Ontem, continuaram as divergências entre o ex-governador da província de Kandahar, Haji Gul Agha e o mulá Naqibulá, ex-chefe mujahedine e da II Divisão do Exército afegão, a quem os talebans passaram o poder na sexta-feira.
Karzai se envolveu diretamente no processo de rendição dos talebans em Kandahar, mas Gul Agha impugnou uma parte do acordo que dava o papel de protagonista a mulá Naqibulá. Logo que os talebans se foram, as forças de Gul Agha e do mulá Naqibulá ocuparam diferentes bairros da cidade e terminaram travando combates em torno da residência do governador, que causaram cinco mortos. A missão de Karzai em Kandahar tem como objetivo reunir as partes em conflito e organizar uma shura (conselho local), que legalize a repartição de poder na nova administração da província.
Uma delegação que inclui 150 notáveis tribais e designatários religiosos chegou também a Kandahar, procedente da cidade fronteiriça de Quetta (oeste do Paquistão), onde Karzai e Gul Agha passaram a maior parte dos últimos sete anos.
Dois dias depois da rendição dos talebans, conflitos generalizados continuaram na cidade, com todo mundo armado, inclusive, jovens de 10 e 12 anos. Rajadas de armas automáticos e disparos de baterias antiaéreas foram ouvidos na manhã de ontem, mas não foram registrados novos combates.

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