São Paulo - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou ontem que os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) têm capacidade para atacar as bases do grupo islâmico Taleban no vizinho Paquistão, mas questionou o desejo das tropas de fazê-lo.
  ‘‘A guerra contra o terrorismo não está nas vilas ou casas do Afeganistão, mas nos santuários, fontes de financiamento e treinamento, e eles ficam fora do Afeganistão’’, disse Karzai, sem citar explicitamente o país vizinho.
  ‘‘É uma pergunta diferente se o Afeganistão tem a capacidade de atacar isso [...], mas nossos aliados têm esta capacidade e a questão agora é por que não estão tomando atitudes?’’, completou Karzai.
  A acusação de que o Paquistão ajuda em segredo o Taleban ganhou força nesta semana com a publicação de mais de 91 mil páginas de documentos secretos da guerra no Afeganistão pelo site Wikileaks. Entre as várias revelações, está a de que os serviços secretos de inteligência ajudam os talebans.
  Na terça-feira, em uma primeira reação ao vazamento, o Conselho Nacional de Segurança disse que os Estados Unidos fracassaram em atacar os patrocinadores e apoiadores do Taleban escondidos no Paquistão ao longo dos quase nove anos de conflito.
  O presidente afirmou que os documentos permitem uma mudança na forma de lidar com a guerra e provam que o Afeganistão estava certo sobre a causa da guerra - o apoio dos serviços secretos paquistaneses (ISI) aos talebans afegãos e outros grupos insurgentes.
  Os agentes ofereceriam refúgio nas zonas tribais fronteiriças e, inclusive, organizariam seus ataques para enfraquecer o Afeganistão e defender os interesses de Islamabad.
  O Paquistão era aliado do regime dos talebans (1996-2001) antes de unir-se aos Estados Unidos. ‘‘Após o vazamento dos documentos, espero que reconsiderem suas políticas’’, disse. ‘‘Não se faz nada no lugar de onde provém o verdadeiro perigo’’.
  Karzai classificou ainda de irresponsável e escandaloso o vazamento de documentos com os nomes dos informantes afegãos e afirmou que isso coloca suas vidas em perigo. ‘‘Meu porta-voz me disse que nesses documentos são revelados os nomes de alguns afegãos que cooperam com as forças internacionais’’, declarou.

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