Kadafi convoca marcha rumo a reduto dos rebeldes
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segunda-feira, 21 de março de 2011
Folhapress 
São Paulo - O ditador líbio, Muamar Kadafi, convocou ontem o povo líbio a realizar uma ''marcha popular estratégica'' em direção à cidade de Benghazi, reduto dos rebeldes de oposição no leste da Líbia, para impedir ''a agressão estrangeira''.
A Líbia é alvo há três dias da operação Aurora do Amanhecer, uma ampla ofensiva militar das forças ocidentais contra as forças de Kadafi. A operação visa a impedir os ataques do ditador aos civis e rebeldes líbios, que pedem sua renúncia, e impor a zona de restrição aérea - medidas aprovadas na quinta-feira pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a agência oficial líbia Jana, Kadafi pediu ainda que os líbios levem ramos de oliveira nas mãos, para ''lidar com os problemas de forma pacífica e não dar oportunidade aos inimigos que atacam a Líbia e buscam roubar suas riquezas''.
O ditador quer reagrupar dezenas de tribos líbias de todas as regiões. A agência Jana disse que mesmo tribos de Benghazi participariam da marcha. Apesar dos bombardeios ocidentais, Kadafi mantém a ofensiva contra os rebeldes no leste do país, principalmente em Misrata, terceira maior cidade líbia.
Segundo os opositores, as forças leais ao ditador chegaram a trazer civis de cidades vizinhas para usá-los como escudos humanos.
As explosões marcaram a noite de domingo e a madrugada de ontem em Trípoli, onde um edifício do complexo residencial de Kadafi foi destruído por um míssil da coalizão ocidental. O céu da capital foi tomado por aviões da coalizão procedentes de bases na Itália e pelos disparos da defesas antiaérea líbia.
O prédio, situado a cerca de 50 metros da tenda onde Kadafi recebe geralmente seus convidados importantes, foi totalmente destruído. A coalizão alega que o prédio era de uso militar e continha armas. Já o governo líbio disse se tratar de um prédio administrativo.
''Foi um bombardeio bárbaro, que poderia ter atingido centenas de civis congregados na residência de Muamar Kadafi, a cerca de 400 metros do prédio atingido'', declarou o porta-voz do regime, Musa Ibrahim, denunciando as ''contradições do discurso ocidental''. ''Os países ocidentais dizem querer proteger os civis, mas atacam uma residência onde sabem que há civis no interior'', criticou.
A troca de fogo ocorreu mesmo com a declaração de um novo cessar-fogo pelo regime líbio, na tarde de anteontem. A trégua foi recebida com desconfiança pela comunidade internacional e o conselheiro do presidente americano para a Segurança Nacional, Tom Donilon, afirmou que o anúncio era ''uma mentira.''


