São Paulo - O ditador líbio, Muamar Kadafi, discursou ontem por mais de uma hora diante de um grupo de apoiadores e advertiu que haverá milhares de mortos caso os Estados Unidos ou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) decidam invadir o país. Ele culpou ainda a rede terrorista Al Qaeda pelos protestos e ameaçou enfiar o dedo nos olhos de seus inimigos.
A ideia de uma intervenção militar na Líbia tem ganhado força nos últimos dias, diante da resistência de Kadafi de deixar o poder e a continuidade dos confrontos entre as tropas leais ao ditador e rebeldes que controlam o Leste do país.
Os EUA já reposicionaram suas tropas para mais perto da Líbia, mas evitam cravar que uma ação militar está sendo planejada. A Otan, por sua vez, afirmou que só agirá na Líbia com a aprovação da Organização das Nações Unidas (ONU).
''Nós enfiaremos os nossos dedos nos olhos daqueles que duvidam que a Líbia é governada por qualquer um que não seu povo'', disse Kadafi, aos gritos de apoio dos presentes.
Ele disse ainda que o sistema de governo líbio é uma ''democracia direta'' e que ele não pode renunciar, porque não tem cargo. ''Muamar não tem poder de verdade para renunciar a ele. Quando os Comitês do Povo determinam algo, se torna lei e é implementada para todos os líbios. Ninguém pode declarar guerra ou paz a menos que os Comitês do Povo assim decidam.''
Kadafi afirmou ainda que não houve manifestações pacíficas na Líbia, apenas gangues de homens e jovens armados influenciados pela Al Qaeda. ''Células adormecidas da Al Qaeda, seus elementos, se infiltraram gradualmente [...] Eles acreditam que o mundo é deles, lutam em qualquer lugar, os serviços de inteligência os conhecem pelo nome'', acusou o líder líbio a uma atenta audiência.
Ele pediu ainda à comunidade internacional que envie uma missão para verificar a situação na Líbia e desafiou a provar que suas tropas estão reagindo a manifestações pacíficas e que mais de mil morreram nos confrontos.

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