France PresseFestaPopulares saem às ruas, de Kinshasa, recepcionando as tropas rebeldes. Mas a situação ainda é tensa e perigosa na cidadeO chefe dos rebeldes zairenses, Laurent Desiré Kabila, proclamou-se ontem, em Lubumbashi, chefe de Estado ‘‘do Congo’’, recuperando assim a antiga denominação do país, enquanto suas tropas entravam vitoriosas em Kinshasa, pondo fim a quase 32 anos de mobutismo.
Sete meses depois de lançar sua ofensiva no leste do país, Kabila declarou em uma entrevista à imprensa em Lubumbashi que a partir de hoje assumia ‘‘a chefia do Estado congolês’’.
O antigo Congo belga se converteu em República Democrática do Congo em 1960, e em outubro de 1971, em nome da ‘‘africanização’’ lançada então pelo marechal Mobutu, passou a chamar-se República do Zaire.
Sexta-feira, o presidente Mobutu Sese Seko abandonou Kinshasa, seguindo para seu reduto de Gbadolite (Norte), garantindo que se manteria afastado, embora não tivesse apresentado sua renúncia às funções presidenciais.
Kabila, que proclamou a suspensão da Constituição vigente, anunciou a formação de um governo de salvação nacional nas próximas 72 horas e uma Assembléia Constituinte em um prazo de 60 dias.
Também fez um apelo à calma e pediu aos soldados do exército zairense que depusessem as armas.
O líder rebelde acrescentou que havia conversado por telefone com generais do exército em Kinshasa, que lhe teriam declarado sua fidelidade.
Enquanto o chefe rebelde fazia estas declarações, suas tropas entravam no centro de Kinshasa, segundo testemunhas contactadas por rádio. Algumas testemunhas disseram que os soldados rebeldes estavam ‘‘bem vestidos’’ e usavam veículos blindads e fortemente armados.
De acordo com essas testemunhas, a população lhes deu uma calorosa acolhida, agitando folhas de palma e bandeiras brancas em sinal de paz.
Vários representantes rebeldes pediram em francês à população que mantivesse a calma e não fizesse saques. Habitantes de Kinshasa afirmaram que soldados tinham começado a saquear a cidade.
Em pleno centro da capital, eram escutadas rajadas de metralhadoras e disparos esporádicos, cuja origem não pôde ser determinada.
Sexta-feira, o chefe de Estado-Maior das FAZ, general Mahele Liyoko, foi morto por soldados da Divisão Especial presidencial (DSP), em circunstâncias ainda obscuras.

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