Laurent-Desiré Kabila lutou contra Mobutu Sese Seko por três décadas antes de conseguir forçar a queda do ditador, em maio de 1997. Ele liderou a chamada Aliança de Forças Democráticas para a Libertação do Congo-Zaire (AFDL), que lançou em 1996 sua grande ofensiva contra o regime ditatorial.
Embora Kabila fosse da etnia luba, viveu durante muitos anos entre a comunidade tutsi banyamulenge, que formou a base de sua aliança. Conhecido por seus seguidores como ‘‘mzi’’, sempre refutou as acusações de Mobutu e de alguns países africanos de que o objetivo de sua aliança era formar uma ‘‘Tutsilândia’’.
Nascido em 1941 na província de Katanga (atual Shaba, no sul da República Democrática do Congo), Kabila estudou filosofia política na França e, no início de 1960, voltou ao então Congo Belga, fascinado pelo marxismo. Uniu-se ao grupo dos líderes da independência do país, Patrice Lumumba e Pierre Mulele. Em 1964, três anos após o assassinato de Lumumba, participou da chamada ‘‘rebelião dos simbas’’.
No ano seguinte, reuniu-se com o guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara, que fora ao Congo para lhe dar ajuda. A idéia de Che era usar a zona sob controle rebelde como epicentro de uma revolução continental, mas as divisões e a falta de disciplina do movimento de Kabila levaram Guevara a abandonar o plano. Ele chegou a acusar Kabila de beberrão, mulherengo e não confiável.
Em 1967, dois anos depois que Mobutu tomou o poder, Kabila fundou outro movimento rebelde: o Partido Revolucionário Popular, com bases em montanhas perto do Lago Tanganica. O braço armado do partido, as Forças Armadas Populares, promoveu durante 18 anos uma guerra de guerrilha num território reduzido. Em outubro de 1994, Kabila iniciou sua fulminante ofensiva contra Mobutu. ‘‘Meus longos anos de luta foram como o adubo espalhado no campo, agora é a hora da colheita’’, disse ao chegar ao poder.

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