Juventude anseia por mudanças e ameaça o regime
France Presse
De Teerã
Os estudantes que se manifestavam ontem, em Teerã, são em geral muito jovens, parecem escapar a qualquer tentativa de controle político e contam com a simpatia da população.
Moças e rapazes entre 16 e 18 anos passeavam pelas ruas vestidos de calças jeans e bonés de beisebol. Entre eles havia muitas mocinhas com o xador islâmico.
Estes grupos de estudantes - principalmente o Consolidação da Unidade - são dirigidos por ex-ativistas radicais hoje aliados ao projeto de reformas democráticas do presidente Mohammed Khatami.
Podem ser muito críticos e, ao mesmo tempo, perfeitamente integrados ao jogo de facções iraniano.
Um de seus líderes, Ebrahim Asgharzadeh, que participou da tomada de reféns da embaixada americana de Teerã em 1979, é hoje líder estudantil e membro do conselho municipal da capital.
O mesmo aconteceu com personalidades do grupo de Khatami, que se aglomeravam nos campus nos últimos dias, assim como a conhecida filha do ex-presidente Rafsanyani, Faezeh Hachemi, que agora se comporta com discrição.
O movimento de revolta estudantil parece em conjunto ser bem recebido pela população, que com frequência se uniu aos jovens manifestantes para atirar pedras e vaiar as forças da ordem.
Os estudantes de todas as tendências são favoráveis ao presidente Khatami, eleito triunfalmente com 70% dos votos há dois anos, embora a maioria dos iranianos lamenta que não possa aplicar suas reformas por causa dos bloqueios dos conservadores.
Mas os jovens manifestantes continuam insensíveis ao apelo à calma feito pelo presidente Khatami segunda-feira, ao fazer uma advertência aos provocadores e adversários das reformas.
Alguns querem provocar e criar conflitos, declarou Khatami, que pediu aos estudantes para não caírem nesta armadilha perigosa.
Devemos ser os primeiros a nos opormos às tensões e à violência, acrescentou o presidente.
O porta-voz do ministério das relações exteriores, Hamid Reza Assefi, fez uma distinção clara ontem entre a manifestação pacífica dos estudantes que já terminou e os perturbadores, que segundo ele, continuam enfrentando as forças da ordem.(C.R.)





