A Justiça paraguaia pediu ao governo do presidente Luis González Macchi que esclareça os ‘‘antecedentes’’ que o levaram a ordenar a detenção de jornalistas sob o estado de sítio instaurado na semana passada, após uma tentativa de golpe militar de partidários do ex-general fugitivo Lino Oviedo. O juiz Gustavo Ocampos deu ao governo ‘‘um prazo de 24 horas para que comunique se existe ou não medida restritiva de liberdade e, nesse caso, os antecedentes relacionados com Hugo Ruiz Olázar (editor-chefe do jornal ABC-Color), assim como Miguel Fernández e Ana de Fernández (proprietários da Rádio Assunción)’’.
Ruiz Olázar, que está refugiado desde sábado na sede do jornal, disse ontem que ainda ignora a causa pela qual, por meio de um decreto presidencial, foi ordenada sua prisão. Ele disse estar disposto a entregar-se se a ordem vier da Justiça.
O diretor do ABC-Color, Aldo Zuccolillo, denunciou à Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) a ‘‘caça às bruxas’’ contra os meios de comunicação e os jornalistas opostos ao governo de Macchi após a frustrada intentona golpista. Ele afirmou que desde sábado já foram ‘‘invadidas e caladas’’ as Rádios Assunción e Ybyturuzú, detidos seus diretores e fechadas outras emissoras. ‘‘O ABC-Color não foi isento dessa caça às bruxas contra a imprensa’’, acrescentou.
Desde a tentativa de golpe de quinta-feira, o governo já ordenou a prisão de 91 pessoas: 47 oficiais militares, 22 policiais, 4 congressistas, 5 jornalistas e mais 13 civis. Desse total, 76 já estão detidos.
Entretanto, sob pressão da oposição, o governo recuou ontem numa de suas medidas, a que exigia ‘‘autorização’’ policial prévia para reuniões políticas e sociais. O decreto ‘‘corrigido’’ elimina a palavra ‘‘autorização’’ e exige apenas uma ‘‘notificação’’ feita pelos organizadores à polícia. Apesar do recuo, o governo negou estar abusando dos poderes de exceção.
Ontem as autoridades também adotaram uma represália contra o foco da sublevação, a 1ª Divisão de Cavalaria, transferindo-a para o inóspito povoado de Joel Estigarribis, em pleno Chaco Boreal, a 400 quilômetros da capital. Lá não há luz elétrica, água corrente nem serviço telefônico. ‘‘Agora poderemos viver em paz e tranquilidade, não só a sociedade civil, como também os próprios militares’’, afirmou o ministro da Defesa, Nelson Argaña.

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