O ex-padre e guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Francisco Antonio Cadena Collazos, foi colocado em liberdade ontem em Foz do Iguaçu, depois de 24 dias preso na delegacia da Polícia Federal. A determinação foi dada ontem pelo juiz da 2ª Vara Federal de Foz Emerson Gazda, que acompanhou sentença do juiz da 20ª Vara Federal de Brasília Alexandre de Oliveira, revalidando o visto de permanência temporária de Cadena no Brasil. Os documentos foram cancelados dia 16 de agosto pelo Serviço de Registro de Estrangeiros, departamento da PF em Brasília, cinco dias depois de a Embaixada do Brasil na Colômbia enviar uma carta solicitando, conforme pedido das autoridades colombianas, a deportação do ex-padre.
Na saída da prisão, ocorrida por volta das 20 horas, Cadena disse que ‘‘estava feliz com a liberdade e com a justiça feita pelo governo brasileiro’’ e que vai agilizar a renovação do visto o mais rápido possível. ‘‘O prazo final vence dia 13 de novembro, mas ainda esta semana estarei de volta à Polícia Federal para acertar a documentação.’’ Questionado se vai entrar na Justiça contra as autoridades brasileiras que o mantiveram preso por quase um mês sem que houvesse acusações formais, o integrante das Farc comentou apenas que deseja esquecer o assunto e continuar trabalhando. ‘‘Quero lembrar que a imprensa teve um papel fundamental para acelerar a solução do meu caso e também para informar a população sobre o nosso grupo.’’
Considerado o relações públicas das Farc no Brasil, Cadena foi preso no momento em que tentava renovar o visto. Desde a sua detenção, ocorrida em 22 de setembro, o ex-padre negou qualquer envolvimento nos crimes citados pela polícia da Colômbia, entre eles sequestro e homicídio. Depois de sair da cadeia, o ex-padre voltou para Medianeira (65 km de Foz), onde mantém residência fixa há quase três anos, período em que viajou pelo Brasil ministrando palestras sobre a revolução.

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