São Paulo - A Justiça da Itália investiga Ettore Gotti Tedeschi, o presidente do Banco do Vaticano, conhecido como Instituto Vaticano para as Obras Religiosas (IOR), por suposta lavagem de dinheiro e ordenou a apreensão de 23 milhões de euros [R$ 52 milhões].
  Agentes da polícia tributária determinaram o sequestro preventivo dessa quantia depositada numa conta do banco Credito Artigiano Spa, a pedido de um tribunal de Roma que investiga a omissão por parte do IOR de dados obrigatórios quanto à identidade das pessoas efetuando transações financeiras.
  A Itália suspeita que o Banco do Vaticano administre através de contas anônimas, identificadas apenas com a sigla IOR, importantes somas de dinheiro de procedência obscura. Esta é a primeira vez que uma iniciativa do gênero é executada contra o IOR na Itália. O IOR não é acusado diretamente de lavagem e sim de ter omitido os dados requeridos.
  Em reação às denúncias da Justiça italiana, a Santa Sé indicou estar ‘‘perplexa e assombrada’’ pelas investigações abertas contra o diretor da entidade, Ettore Gotti Tedeschi, e assegurou a ‘‘plena transparência’’ de suas transações financeiras. Por meio de um comunicado da Secretaria de Estado, o Vaticano reiterou a ‘‘clara vontade’’ que existe por parte de seu banco de ser transparente no que diz respeito às suas operações e confirmou sua ‘‘máxima confi-ança’’ em Tedeschi.
  O chamado banco do Vaticano, que administra as contas de várias ordens religiosas, assim como de associações católicas, é uma instituição da Igreja Católica que não é regida pelas normas financeiras vigentes na Itália.
  O Instituto esteve envolvido num escândalo político-financeiro nos anos 1980, pela falência, em 1982, do Banco Ambrosiano (do qual o Vaticano era um acionista importante) pelo peso de uma dívida de US$ 3,5 bilhões e um buraco fiscal de US$ 1,4 bilhão.

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