Justiça garante o plano para reeleição de Menem
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Ariel Palacios Agência Estado 
O presidente argentino, Carlos Menem, conseguiu dar mais um passo na direção de disputar sua segunda reeleição: Ricardo Bustos Fierro, juiz federal da província de Córdoba, anunciou uma resolução pela qual Menem poderia considerar-se apto para apresentar-se como pré-candidato à convenção do Partido Justicialista (também conhecido por peronista).
A resolução do juiz está sendo interpretada também como o primeiro parecer favorável à possibilidade de o presidente disputar uma segunda reeleição.
Menem foi eleito pela primeira vez em 1989 e reeleito em 1995. No entanto, a nova Constituição, de 1994, proíbe que possa disputar uma segunda reeleição.
O anúncio do juiz está alterando drasticamente o panorama político argentino, que seria completamente transformado com a entrada de Menem na corrida presidencial.
A via judicial seria uma forma de driblar a Carta Magna e, assim, poder candidatar-se a mais um mandato presidencial, o que o tornaria o presidente que teria estado mais tempo ininterruptamente no poder, ultrapassando o próprio fundador de seu partido, o general Juan Domingo Perón.
O juiz agora passará a averiguar se os constituintes de 1994 excederam-se ao proibir uma segunda reeleição de Menem. Mas a decisão final pertence à Corte Suprema.
Os assessores de Menem consideram que a possibilidade de o presidente ser pré-candidato à convenção seria o suficiente para mobilizar os indecisos do partido de forma a pressionar a Corte Suprema de Justiça para que dê um parecer que permita ao presidente ser candidato nas eleições presidenciais de outubro.
Menem não poderia reformar a Carta Magna através do Congresso, onde não tem maioria desde 1997. Sem poder agir por meios parlamentares, o presidente tentaria conseguir a permissão para ser candidato através da Corte Suprema, onde mais da metade dos magistrados foram nomeados por ele próprio.
Além disso, em diversas ocasiões os juízes expressaram sua simpatia ao presidente. Os cálculos dos assessores de Menem são de que o presidente contaria com os votos favoráveis de seis juízes, e a oposição de três.
Outro dado favorável é o resultado de uma pesquisa que indica que a duvidosa legalidade da operação política de Menem não preocupa 60% dos argentinos.


