São Paulo - A Justiça do Egito ordenou ontem prisão preventiva de 15 dias para o líder religioso da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie. Ele foi preso durante a madrugada, acusado de incitação à violência durante os protestos contra o governo interino.
A prisão de Badie era desejada pelo governo interino e pela Justiça egípcia desde a deposição do presidente Mohamed Morsi, em 3 de julho. Desde então, a Irmandade Muçulmana convocou diversos protestos contra o que chamou de golpe, incluindo dois acampamentos em praças do Cairo.
Na semana passada, essas ocupações foram desfeitas em uma ação policial que terminou em confronto com os islamitas e levou a um massacre que deixou mais de 700 mortos. Nos três dias seguintes, a Irmandade convocou novos protestos, com novos enfrentamentos que causaram cerca de 250 mortes.
Em julho, após o golpe que depôs o presidente islamita Mohamed Morsi, Badie e dois de seus subalternos da Irmandade foram acusados pela Justiça de "incitação à morte" por supostamente estimular a violência contra manifestantes anti-Morsi. O início de seu julgamento estava marcado para o dia 25.
Segundo a imprensa estatal, Mohamed Badie foi levado à prisão de Tora, a mesma em que estão outros líderes da organização, como Khairat el-Shater, e o ex-ditador Hosni Mubarak, deposto em 2011. A entidade escolheu o chefe adjunto da entidade, Mahmoud Ezzat, como líder religioso interino.
A detenção reforça o cerco imposto pelos militares contra a Irmandade. O governo interino propôs a dissolução da organização - que, mesmo fragilizada, ainda possui importante base social - e o acusa de envolvimento em atos terroristas, subversão e associação com o palestino Hamas e a rede Al-Qaeda.
Os EUA criticaram a detenção de Mohamed Badie. A Casa Branca disse que a prisão vai contra os compromissos assumidos pelos militares de promover "um processo político inclusivo", e a considerou uma violação dos direitos humanos.
"Esta prisão não está alinhada com os padrões que esperamos que outros governos defendam em termos de respeito aos direitos humanos", disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest.
A Irmandade Muçulmana afirmou hoje que a detenção do líder máximo da entidade não prejudicará sua unidade e nem irá brecar a luta contra o "golpe de Estado e o governo militar".

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