Um juiz da Alta Corte britânica rejeitou ontem em Londres a última tentativa do ex-ditador chileno Augusto Pinochet de impedir o processo de extradição iniciado pela Espanha.
O veredicto do juiz Harry Ognall significa que, após sete meses de atrasos e deliberações na Justiça, o processo de extradição efetivamente prosseguirá. A primeira audiência foi marcada para 4 de junho próximo.
Na petição de apelação, os advogados de Pinochet argumentaram que o secretário do Interior Jack Straw errou ao permitir que o processo de extradição fosse lançado, uma vez que a maioria das acusações contra o ex-ditador foram recentemente retiradas.
Pinochet foi preso em uma clínica de Londres, onde se recuperava de uma cirurgia de hérnia de disco, em 16 de outubro de 1998, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que quer julgá-lo pela tortura e assassinato de seus opositores durante os 17 anos em que ele governou o Chile.
Um relatório oficial do governo chileno afirma que 3.197 pessoas, entre as quais vários espanhóis, desapareceram ou foram mortas pela polícia secreta do general Augusto Pinochet após o golpe sangrento que derrubou o presidente eleito - o marxista Salvador Allende - em 1973.
Desde a prisão de Augusto Pinochet, o caso vinha se arrastando na Justiça britânica. Aspectos do processo foram considerados e reconsiderados tanto pela Alta Corte como pela Câmara dos Lordes o mais alto tribunal de apelações da Grã-Bretanha.
Em sua decisão mais recente, os lordes reduziram expressivamente o número de acusações contra Pinochet, mas ressaltaram que as três remanescentes eram suficientes para manter o pedido de extradição espanhol.
Por outra parte, a firma distribuidora do vinho ‘‘Capitán General’’, que se chama assim em homenagem ao ex-ditador Augusto Pinochet e que dedica parte de seus lucros ao financiamento de sua prisão domiciliar em Londres, foi assaltada em Santiago do Chile.
O proprietário da empresa, Eduardo Arévalo, afirmou que na noite de anteontem desconhecidos entraram nas instalações da empresa, que fica em pleno centro de Santiago, e roubaram cerca de mil dólares em cheques e dinheiro.
Eduardo Arévalo disse também que os invasores destruíram quadros e imagens do general Augusto Pinochet, o que para ele representa claramente um ataque político.

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