Santiago - O plenário da Corte de Apelações de Santiago acolheu ontem uma solicitação de desaforamento (perda de privilégios jurídicos) contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, por sua responsabilidade na ''Operação Condor'' que coordenou as ditaduras sul-americanas nos anos 70 para eliminação de opositores.
O pedido de desaforamento foi aprovado por 14 votos a favor e nove contra, segundo informou o presidente do tribunal, Juan González. Embora tenha renunciado a seu cargo vitalício no Senado, Pinochet está protegido por um foro especial que lhe foi concedido pelo Congresso depois de reconhecer sua qualidade de ex-presidente (1973-1990).
O ex-ditador, de 88 anos, enfrentou no passado três processos relacionados aos mais de 3 mil mortos e desaparecidos durante a ditadura, mas em apenas um deles o general perdeu a imunidade. No caso da ''Caravana da Morte'', que executou 75 presos políticos em outubro de 1973, Pinochet foi processado por encobrir o caso, apesar de a Corte Suprema declarar que ele possuía uma leve demência que o impedia de ir a julgamento.
O ex-ditador manteve a imunidade em outras duas situações: no caso do sequestro e desaparecimento da cúpula do Partido Comunista em 1976, e do assassinato do ex-comandante do Exército, general Carlos Prats, ao lado de sua esposa Sofía Cuthbert, em Buenos Aires, em 1974.

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