Los Angeles - O pop-star Michael Jackson será julgado na segunda-feira, depois de mais de 14 meses de mistério e escabrosas especulações sobre o artista, que tentará nos próximos dias fazer de tudo para tentar escapar da condenação à prisão.
Recheado de racismo, fama e dinheiro, o julgamento deve durar vários meses e promete atrair novamente os holofotes para o cantor, que gravou o disco mais vendido do mundo, ''Thriller'' (1982), mas já não tem destaque no meio musical.
Na próxima segunda-feira, começa a primeira etapa do julgamento, que consiste na seleção de testemunhos, um processo que pode levar meses antes que os advogados de defesa e acusação apresentem seus argumentos a favor e contra o artista.
''Será um processo difícil tanto para defesa quanto para a acusação'', previu Laurie Levenson, especialista legal da Universidade de Loyola. ''Agrava-se muito mais devido ao assédio da imprensa. Será muito mais difícil escolher um júri, convocar as testemunhas. Ter crianças como testemunhas sempre é problemático, mas quando se trata de Michael Jackson, isso se torna ainda mais complicado'', disse.
O novo capítulo da história Jackson começou no dia 18 de novembro de 2003, o dia em que o ídolo do pop voltou às primeiras páginas dos jornais no mundo inteiro, quando a Polícia deu uma busca em toda sua fazenda de ''Neverland'', em Santa Barbara (Califórnia, oeste).
Dois dias depois, os policiais levaram o integrante mais popular dos ''Jackson Five'' para a prisão desta cidade, algemado, onde foi fichado como suspeito de abuso sexual.
No dia 16 de janeiro de 2004, o músico de 46 anos, que tem três filhos pequenos, compareceu a um tribunal de Santa María, Califórnia, acompanhado de sua famosa e controvertida família. Sem mostrar qualquer preocupação com o escândalo, o cantor subiu no teto da caminhonete que o levou ao local, dando passinhos de dança e provocando mais críticas da imprensa, perplexa com sua reação festiva.
Em abril voltou a ser formalmente acusado de abuso sexual por um Grande Júri de Santa Bárbara. Dias depois, em uma aparição mais recatada, o astro disse ser inocente das dez acusações contra ele: uma de conspiração com objetivos extorsivos, uma de sequestro de um menor e falsa prisão; quatro de abuso sexual; uma de tentativa de abuso sexual, e quatro de ministrar substância tóxica com o fim de cometer um delito.
Nos meses seguintes surgiram os primeiros detalhes sobre a suposta vítima: um menino que na época do abuso sexual tinha 13 anos e sofria de câncer. O jovem apareceu junto ao cantor no documentário ''Living with Michael Jackson'', onde este último admitiu, enquanto a criança se encostava no seu ombro, que não via mal nenhum em partilhar a cama com menores.
A família disse que os assessores do cantor ficaram preocupados com a repercussão das imagens e tentaram enviar o menino para outro país. Poucos meses depois, o menino e a família processaram Michael Jackson de abuso sexual, quase dez anos após outro menor fazer acusações similares, em um caso que nunca chegou ao Tribunal e custou 23 milhões de dólares ao cantor.
Depois de meses de especulações, a rede ABC News revelou há poucos dias que o adolescente declarou ante o Grande Júri que o músico o tinha convidado a se masturbar. ''Estávamos encostados na cama e ele me disse que os homens se masturbavam e disse que queria me ensinar a em masturbar (...)'', disse.
Durante os meses de julgamento, os especialistas acreditam que a defesa tentará utilizar sua astúcia para demonstrar que a família da suposta vítima está atrás de dinheiro, baseando-se em acusações falsas.

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