O julgamento da destituição contra o Presidente Bill Clinton começou formalmente ontem, com a sessão de juramento no Senado dos EUA. O presidente da Corte Suprema, William Rehnquist, que preside o julgamento, prestou juramento em sessão solene às 18H21 GMT. Logo em seguida, os 100 senadores da Câmara Alta, como membros do juri no processo, fizeram o mesmo.
O primeiro julgamento de um presidente em 131 anos havia sido iniciado horas antes com a apresentação ao Senado dos 13 ‘‘fiscais’’, todos membros da Câmara dos Representantes, que procederam a solene leitura dos ‘‘artigos de destituição’’.
Clinton é acusado de perjúrio e obstrução da justiça para ocultar sua relação com Monica Lewinsky, ex-estagiária da Casa Branca que tinha 21 anos quando o ‘‘incidente’’ aconteceu.
O verdadeiro julgamento do impeachment do presidente Bill Clinton, porém, começará no Senado na quinta-feira, 14 próximo, e se prolongará até 5 ou 12 de fevereiro, segundo o líder da maioria republicana, Trent Lott.
Os dois partidos estão divididos sobre a possibilidade de ouvir testemunhas durante o desenvolvimento do processo. Os republicanos querem e os democratas, não.
‘‘A Câmara (de Representantes) está ditando os termos do procedimento’’, declarou indignado Frank Lautenberg, senador democrata por Nova Jersey.
Os democratas queriam obter mais tempo que a semana prevista inicialmente, para que os ‘‘promotores’’ nomeados pela Câmara de Representantes e a Casa Branca pudessem apresentar o caso.
Acusação São os seguintes os artigos de destituição aprovados pela Câmara de Representantes, ou as ‘‘acusações’’ que motivaram o julgamento no Senado do presidente William Jefferson Clinton.
Artigo 1:
Destaca que o presidente Clinton ‘‘intencional e deliberadamente’’ cometeu perjúrio ao testemunhar ante o Grande Júri dia 17 de agosto de 1998, para tentar ocultar o relacionamento extra-conjugal com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.
Artigo 3:
Alega que Clinton ‘‘obstruiu e impediu a ação da justiça’’, e com esse objetivo incorreu pessoalmente e através de subordinados e agentes em ação ‘‘ou esquema, levantado para atrasar, impedir, encobrir e ocultar a existência de provas e depoimentos’’ relacionados à queixa de assédio sexual apresentada por Paula Jones, ex-funcionária do governo de Arkansas. O artigo detalha sete atos relacionados à obstrução da justiça.
A Câmara de Representantes rejeitou outros dois artigos: um que acusava o presidente também de perjúrio no caso Jones, e outro que o acusava de abuso de poder e manipulação de testemunhas no caso Lewinsky.

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