São Paulo - A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu ontem que o presidente americano, George W. Bush, abusou de sua autoridade ao criar tribunais militares para julgar os presos do centro de detenção de Guantánamo, em Cuba, por crimes de guerra.
A decisão um revés para a administração de Bush e sua agressiva política antiterror foi anunciada pelo juiz John Paul Stevens, em nome da Suprema Corte, que disse que os tribunais criados eram ''ilegais'' sob a legislação dos EUA e da Convenção de Genebra.
A Justiça analisou o caso de Salim Ahmed Hamdan, 36 anos, um iemenita que trabalhou como segurança e motorista do líder da rede terrorista Al-Qaeda, o saudita Osama bin Laden. Após, passar quatro anos preso em Guantánamo, Hamdan apresentou recurso contra seu julgamento.
Hamdan reivindicou que os tribunais de guerra criados para julgar os presos de Guantánamo fossem declarados anticonstitucionais. Os EUA consideram que os presos em Cuba são ''combatentes inimigos'' e estão excluídos das proteções garantidas na Convenção de Genebra.
Há dois anos, a corte rejeitou o argumento de Bush, que alegava ter o direito de capturar e prender suspeitos de terrorismo e negar a eles acesso à defesa de um advogado. Na decisão de ontem, a Justiça analisou apenas o caso específico de alguns dos detentos de Guantánamo.

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