Julgamento por abuso sexual tem 200 testemunhas
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Folhapress 
São Paulo - Mais de 200 testemunhas foram apresentadas ontem à corte em Angers, no oeste da França, que irá julgar 66 réus por pedofilia e incesto. O julgamento, o maior organizado por esses crimes no país, começou quinta-feira e deve durar pelo menos quatro meses.
Segundo promotores, 45 crianças com idades entre seis meses e 14 anos foram estupradas por seus próprios pais ou ''oferecidas'' a outros adultos em troca de dinheiro, entre os anos de 1999 e 2002. Todas estão, agora, sob o cuidado do serviço social francês, e algumas tiveram seus testemunhos gravados em vídeos que serão exibidos no tribunal.
Os 39 homens e 27 mulheres que irão para o banco dos réus pais das próprias crianças e outros que participaram de uma rede de prostituição envolvendo as vítimas poderão ser condenados a 30 anos de prisão. Mesmo aqueles que serão julgados por delitos considerados menores, como ocultação de crime, poderão pegar penas de até dez anos.
A organização do julgamento foi um verdadeiro desafio logístico, já que foi necessário construir uma sala de audiências especial, informatizar a documentação e constituir um júri popular disponível por quatro meses. O veredicto deve ser divulgado em julho.
O caso veio à tona em novembro de 2000, quando uma adolescente de 16 anos fez uma denúncia de que teria sido estuprada pelo namorado da mãe e seu irmão.
As investigações da polícia demonstraram que a amplitude do caso era enorme, pois os próprios pais abusavam de seus filhos, de enteados ou de amigos dos filhos.
Em alguns casos, os favores sexuais eram feitos em troca de dinheiro, comida, cigarros ou álcool. Uma das acusadas teria prostituído os próprios filhos por 300 euros (US$ 360, aproximadamente) a semana.
Muitos dos réus têm renda familiar baixa, outros estão desempregados e vários são analfabetos. Alguns, segundo os advogados de defesa, alegam ter sofrido abuso sexual durante a infância, o que deve ser usado como argumento da defesa, que vai acusar o Estado de omissão frente à violência sexual contra crianças.
Segundo a prefeita de Angers, Michelle Moreau, alguns dos réus já tinham passagem pela polícia. ''Mas, com toda a sinceridade, nunca imaginei que eles pudessem estar envolvidos com pedofilia'', disse Moreau. ''Não sei como explicar o que aconteceu''.
A prefeita teme que a publicidade dada ao caso ''possa ser prejudicial para a cidade''. Ela espera que a exposição possa ajudar, ao menos, a combater esse tipo de abuso. ''Nós realmente temos que mostrar que a pedofilia é um crime e advertir as pessoas'', afirmou.


