São Paulo- O julgamento contra cem líderes opositores do governo do Irã foi classificado ontem como ''fraude'' por defensores de uma reforma no país. Segundo os reformistas, os réus não mantêm contato com seus advogados.
Os cem líderes moderados foram detidos depois da contestada eleição presidencial iraniana de junho. Eles são acusados de tentar derrubar o regime clerical. A TV estatal mostrou imagens do tribunal, onde estavam muitos réus jovens, alguns algemados, e o ex-vice-presidente Mohammad Ali Abtahi, o ex-chanceler adjunto Mohsen Aminzadeh e o ex-deputado Mohsen Mirdamadi com uniforme de prisioneiros.
Também estão sendo julgados destacados líderes de partidos moderados iranianos que apoiaram o candidato presidencial derrotado Mirhossein Mousavi.
''Aqueles que organizam esta fraude de julgamento acham que a nação permanecerá calada diante desse massacre?'', diz um comunicado publicado no site.
A Fronte Islâmica de Participação no Irã, partido reformista, classificou o julgamento como ''repulsivo'' e como um ''show ridículo''.
A organização Repórteres Sem Fronteira mencionou que Saleh Nikbakht, advogado de alguns dos réus, foi barrado na corte na qual o julgamento ocorre.
Não há informação sobre quando o julgamento termina ou quando um veredicto possa ser emitido.
Essa é a primeira vez desde a Revolução Islâmica, em 1979, que dezenas de autoridades do alto escalão, incluindo ex-ministros, ex-vice-presidentes e ex-deputados, são levados a julgamento.
A agência estatal de notícias Irna informou que as acusações contra os réus também incluem atuar contra a segurança nacional ao planejarem a agitação, participar da ''Revolução de Veludo'', atacar edifícios estatais e militares e conspirar contra o sistema de governo.
O termo ''Revolução de Veludo'' foi cunhado para descrever a revolução não-violenta na antiga Tchecoslováquia, em 1989, que derrubou o regime comunista.
De acordo com a lei islâmica do Irã, agir contra a segurança nacional, acusação normalmente feita a dissidentes no Irã, pode ser punida com a pena de morte.
A eleição de 12 de junho mergulhou o Irã em sua maior crise interna desde a Revolução Islâmica e expôs as profundas divisões entre a elite dominante.
Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que centenas de pessoas, incluindo destacados políticos reformistas, jornalistas e advogados, foram detidos desde a eleição.

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