São Paulo - Após a recusa do ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003) em comparecer à audiência em que é julgado pelo assassinato de 143 xiitas em 1982, o juiz que preside o julgamento, Rizgar Mohammed Amin, resolveu suspender o processo. Saddam deve voltar à corte no próximo dia 21, seis dias depois da realização do pleito para a escolha do primeiro governo permanente do Iraque após a invasão do país pelos Estados Unidos.
Saddam se negou a ir à corte ontem, alegando cansaço e maus-tratos. Ele estaria sendo impedido de tomar banho, usar roupas limpas e caminhar no pátio da prisão. Após várias horas de negociações entre os advogados de defesa e os juízes, Amin decidiu iniciar a sessão sem a presença do ex-ditador.
No final da audiência ocorrida na terça-feira, Saddam mandou os juízes ''para o inferno'', dizendo que não iria mais participar do julgamento, realizado por uma corte ilegal. Ele também afirmou que o processo é uma ''simulação'' promovida pelo governo americano e repreendeu severamente Amin e o promotor-chefe, cujo nome não foi revelado, por motivos de segurança.
Na mesma audiência registrada, três testemunhas duas mulheres e um homem foram ouvidas pelos juízes. Por medo de represálias, elas ficaram ocultas atrás de uma cortina, e suas vozes foram distorcidas por equipamentos eletrônicos.
O antigo presidente iraquiano e seus advogados de defesa enfrentam acusações de crimes contra a humanidade, incluindo o assassinato de 143 iraquianos de origem xiita, ocorrido em 1982 no vilarejo de Dujail, ao norte de Bagdá. Segundo os promotores, Saddam teria ordenado as execuções depois de uma suposta tentativa de assassinato contra ele ocorrida em 1982 nesse local. A pena máxima prevista é o enforcamento.
O massacre de Dujail não é o único crime atribuído ao regime de Saddam Hussein, mas é o primeiro caso que se conseguiu levar ao tribunal iraquiano, segundo autoridades iraquianas.

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