O julgamento do líder do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), Abdullah Ocalan, detido há 11 dias na Turquia e acusado de traição, tem data formal para começar, em 24 de março, mas ainda não há lugar definido.
Tanto não está claro se o julgamento será realizado em Ancara ou na ilha de Imrali, onde Ocalan permanece detido desde sua captura no Quênia, como tampouco foi esclarecido se o líder separatista contará com uma defesa correta durante o processo.
Os advogados de Ocalan anunciaram ontem que abandonarão o caso se as autoridades turcas não garantirem a segurança deles e se não forem levantados ‘‘todos os obstáculos’’ que atualmente impedem a defesa de seu cliente.
Uma equipe de 15 advogados curdos foi designada pela família de Ocalan para defender o líder do PKK da acusação de ‘‘traição’’ ao Estado no processo que havia sido aberto contra ele à revelia.
Em uma entrevista coletiva em Istambul, Ahmet Zeki Okcioglu e Hatice Korkuk, os advogados que na quinta-feira se reuniram com Ocalan na cadeia, colocaram em dúvida a participação deles no julgamento. Os dois pediram às autoridades que ponham fim ‘‘às ameaças contra os defensores e suas famílias’’.
Além de solicitar o ‘‘imediato’’ traslado de Ocalan a uma cadeia comum, Okcioglu pediu que cesse a campanha de imprensa, baseada em revelações e acusações, que poderia criar um ambiente adverso a um julgamento justo.
O advogado anunciou que ‘‘suspendia a partir de agora’’ sua defesa, denunciou ameaças contra ele e sua família e sublinhou que todos os defensores de Ocalan estão dispostos a renunciar porque se sentem em perigo.

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