O julgamento contra o presidente americano, Bill Clinton, certamente terminará com sua absolvição, mas aparentemente com uma ‘‘repreensão’’ oficial por seu comportamento no caso Monica Lewinsky.
Ninguém mais pensa que na votação final - prevista entre ontem e hoje - se alncançarão os dois terços necessários para destituir o presidente da Casa Branca pelas acusações que pesam sobre ele: perjúrio e obstrução à justiça.
A decisão favorável a qualquer dos dois artigos de destituição, inclusive entre os republicanos, sugere que as alegações não levarão sequer a uma maioria simbólica quando concluir o segundo julgamento de destituição contra um chefe de Estado na história dos Estados Unidos.
Pelo menos três senadores republicanos já declararam que votarão contra as duas acusações. Outro republicano informou que votará contra a acusação de perjúrio. Só um veredicto de culpabilidade em um dos dois artigos de destituição teria sido suficiente para destituir o presidente.
No entanto, com uma diferença de 55 a 45 favoráveis aos republicanos no Senado, uma mudança de opinião de alguns poucos lhes tiraria qualquer possibilidade de manter a maioria.
No que diz respeito a uma reviravolta nos acontecimentos, a certeza de que Clinton não será expulso da Casa Branca fez com que os partidos invertessem seus papéis no Senado: muitos democratas parecem desesperados a favor de uma moção de censura formal, enquanto vários republicanos se opõem a esta medida.
No entanto, esta opção está perdendo apoio e os democratas a favor da censura declararam que tentariam formalizar uma declaração para conseguir assinaturas de apoio de seus colegas.
A oposição ferrenha de um punhado de republicanos seria suficiente para deixar de lado estes obstáculos de procedimento quase insuperáveis, visto que os senadores desejam terminar o julgamento antes do recesso do Dia do Presidente, que começa hoje.
A Casa Branca negou ontem que o presidente Bill Clinton tenha um plano de revanche política contra os deputados republicanos que levaram adiante o processo de ‘‘impeachment’’.
‘‘Somos mais inteligentes do que isso’’, disse Joe Lockhart, porta- voz da presidência, ao ser perguntado sobre a notícia publicada em primeira página pelo diário ‘‘The New York Times’’.
O jornal escreveu que a revanche de Clinton contra seus inquisidores é uma forte campanha para assegurar que os democratas recuperem a maioria da Câmara dos Representantes, a Câmara baixa, derrotando se possível vários de seus principais críticos.
Lockhart indicou que Clinton irá ajudar candidatos democratas em todo o país e que obviamente um dos objetivos será a busca de maiorias legislativas.
Entretanto, ele advertiu que não podia haver uma estratégia mais torpe do que atacar candidatos levando em conta se foram promotores contra Clinton.

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