Juízes que avaliam veto à imigração agem de modo 'político', diz Trump
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quinta-feira, 09 de fevereiro de 2017
Isabel Fleck<br>Folhapress 

Washington - Em uma conferência de xerifes e chefes de polícia em Washington, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (8) que os juízes da Corte de Apelação responsável por decidir sobre o seu decreto que veta cidadãos de sete países "parecem ser tão políticos" e que seria ótimo que fizessem "o que é certo". As declarações foram feitas depois da audiência da noite de terça (7), na qual os advogados do governo e do Estado de Washington, que questiona o decreto, foram ouvidos, por telefone, por três juízes da 9ª Corte de Apelação, em San Francisco.
"Os juízes parecem ser tão políticos, seria ótimo para o nosso sistema judiciário se eles fizessem o que é certo", disse Trump. "Eles estão interpretando as coisas de forma diferente de provavelmente 100% das pessoas nesta sala. Nós queremos segurança", declarou o mandatário. A audiência foi transmitida ao vivo pela TV, e Trump disse que acompanhou espantado: "Ouvi coisas que eu não podia acreditar".
Nela, os juízes William Canby Jr., Richard Clifton e Michelle Friedland, nomeados por Jimmy Carter, George W. Bush e Barack Obama, respectivamente, foram bem mais incisivos em seus questionamentos ao advogado do Departamento de Justiça Augus Flentje. O decreto que determina o bloqueio à entrada de cidadãos de Síria, Líbia, Irã, Iraque, Iêmen, Somália e Sudão por 90 dias, e de refugiados por 120 dias, com base em uma possível ameaça à segurança nacional, está suspenso por uma liminar.
O Estado de Washington, que entrou com a ação que levou à liminar, argumenta que a decisão presidencial mira a comunidade muçulmana, sendo assim discriminatória com esse grupo religioso. Os juízes da Corte de Apelação devem apresentar sua decisão sobre a retomada ou não da proibição ainda nesta semana.
Não foi a primeira vez que Trump criticou os juízes envolvidos no embate legal sobre o decreto. No fim de semana, ele chamou James Robart, que concedeu a liminar contra o decreto, de "suposto juiz" e disse que ele e o sistema judiciário deverão ser "culpados" se "algo acontecer" aos Estados Unidos em decorrência da entrada dos estrangeiros.
Aos xerifes e policiais nesta quarta, Trump leu - acrescentando comentários na hora - a parte da legislação americana que confere ao presidente o poder de restringir a imigração e afirmou que uma das principais razões pelas quais ele foi eleito foi manter "a lei, a ordem e a segurança". "Um estudante ruim de ensino médio entenderia isso [o trecho lido]", disse.
O presidente disse ter "aprendido muito" nas últimas duas semanas, e que "o terrorismo é uma ameaça muito maior do que as pessoas do nosso país entendem". Ele repetiu que a segurança do país está em risco, com a suspensão da proibição de entrada. Trump também falou sobre a construção do muro na fronteira com o México, e respondeu aos que "achavam que ele estava brincando" quando propôs a construção. "Eu não brinco", disse, acrescentando que o muro está sendo projetado.


