São Paulo- Um juiz superior colombiano recomendou que a mais alta corte do país rejeite como ilegal a proposta para permitir que o presidente Álvaro Uribe se candidate a uma segunda reeleição em maio.
O relato alimentou as dúvidas sobre o futuro político de Uribe, um aliado chave de Washington, popular em seu país após anos de combate direto contra rebeldes de esquerda e atuante em Wall Street por suas políticas pró-investimento.
Citando fontes judiciais, jornais e rádio locais informaram que o juiz Humberto Sierra, do Tribunal Constitucional, tinha recomendado em um documento confidencial que seus oito colegas magistrados decidissem contra a proposta de reeleição.
Um porta-voz do tribunal disse que não poderia confirmar os dados do relatório, reservado aos magistrados. Mas o ex-prefeito de Bogotá e ex-candidato presidencial Antanas Mockus disse em sua conta do Twitter que tinha detalhes de que Sierra exortou os magistrados a votar contrariamente à proposta.
O relatório de Sierra é uma recomendação não vinculativa, e os juízes ainda têm dois meses para tomar a decisão oficial. Mas uma recomendação negativa poderia dar peso a argumentos contrários à possibilidade de Uribe concorrer a um terceiro mandato consecutivo.
O peso colombiano caiu 0,56% no início dos negócios ontem, seguindo a tendências das moedas regionais pressionadas pelo dólar mais forte, mas também devido à incerteza gerada pelos relatos.
''Acho que há pessoas que estão nervosas e que estão tomando posições defensivas com esta notícia, então, nós poderemos ver um movimento de venda de títulos locais TES e compra de dólares'', disse Camilo Perez, diretor de pesquisa do Banco de Bogotá.
Os nove juízes devem decidir se permitem a realização de um referendo sobre a alteração da lei para permitir que Uribe se candidate a um terceiro mandato. Seus oito anos no poder foram marcados por sucessos no longo conflito do país com a guerrilha esquerdista.
Uribe, já reeleito em 2006, depois de uma emenda constitucional, não fez declarações definitivas sobre sua intenção de concorrer novamente. Mas a possibilidade de reeleição está despertando críticas de seus adversários e até de aliados preocupados com a democracia na Colômbia.
O presidente conservador disse recentemente que seu futuro político depende de ''Deus, do povo e da corte''. Mas ele interrompeu transmissões semanais que poderiam violar a legislação eleitoral e os seus funcionários têm pressionado incessantemente pela reeleição.
''Sobre o futuro do país, permita-me dizer o seguinte: temos de melhorar o caminho que estamos tomando, mas não podemos mudá-lo'', disse o presidente a uma rádio local.

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