Juiz manda prender cinco banqueiros
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Hugo Ruiz Olazar France Presse Assunção 
Um juiz paraguaio deu ordem de prisão a cinco banqueiros, muito conhecidos na praça, num julgamento sobre descapitalização de três financeiras que prejudicaram 50.000 correntistas, informaram fontes judiciais ontem.
Por causa desse problema, o governo paraguaio impulsiona a aprovação pelo Congresso de uma lei de emergência que autorize o Banco Central a devolver os depósitos de poupadores e correntistas até uma quantia de 25.000 dólares.
Um dos banqueiros, que deve ficar em prisão preventiva por graves indícios de culpabilidade, é o conhecido empresário Tito Scavone, ex-presidente da influente Federação de Empresários e irmão do ex-ministro da Indústria e Comércio, Ubaldo Scavone, que renunciou a seu cargo no começo deste mês, quando começou o escândalo.
Scavone é o titular do Banco Unión, o mais conhecido dos bancos nacionais e a única entidade financeira que conta com sucursais em todo o país.
Porta-vozes da equipe econômica do governo estimaram em 300 milhões de dólares a quantia necessária para cobrir o rombo e acalmar os correntistas prejudicados.
Depois da intervenção no Banco Unión, no banco de investimentos Banco de Inversiones e na sociedade privada de poupança e empréstimo Ahorros Paraguayos, aconteceu uma corrida geral de duas semanas às sucursais.
O presidente Juan Carlos Wasmosy conseguiu reter a avalanche de retiradas de fundos e prometeu que se responsabilizará em honrar os depósitos que supostamente foram utilizados pelos banqueiros para tapar seu estado de iliquidez.
O empresário Scavone, considerado até hoje como respeitável homem de negócios, disse à imprensa que a intervenção em seu banco e seu processo tinham um fundo político e atribuiu a responsabilidade da situação ao governo de Wasmosy por ter-se apressado a intervir na entidade financeira.
Seus assessores destacaram que houve toda espécie de conspiração para que empresários próximos ao chefe de Estado se apropriassem, a preço vil, da entidade bancária, no momento em que uma assembléia de acionistas deveria resolver a fusão com capitalistas nacionais e estrangeiros para que o banco continuasse operando.
Wasmosy disse que as entidades financeiras desviaram o dinheiro de milhares de poupadores e que a intervenção estava estritamente dentro das leis a que os bancos estão sujeitos.
Setores políticos do oficialismo dissidente e da oposição tinham exigido de Wasmosy a demissão de todo seu gabinete econômico por inépcia e negligência porque não detectaram a tempo as irregularidades que finalmente repercutiram nos poupadores.
Uma crise semelhante em 1995 forçou o governo a injetar 400 milhões de dólares no mercado financeiro e nessa oportunidade cerca de vinte entidades financeiras e duas companhias de seguro quebraram. Os outros principais envolvidos são dois empresários espanhóis que estão foragidos.


