Um juiz paraguaio deu ordem de prisão a cinco banqueiros, muito conhecidos na praça, num julgamento sobre descapitalização de três financeiras que prejudicaram 50.000 correntistas, informaram fontes judiciais ontem.
Por causa desse problema, o governo paraguaio impulsiona a aprovação pelo Congresso de uma lei de emergência que autorize o Banco Central a devolver os depósitos de poupadores e correntistas até uma quantia de 25.000 dólares.
Um dos banqueiros, que deve ficar em prisão preventiva ‘‘por graves indícios de culpabilidade’’, é o conhecido empresário Tito Scavone, ex-presidente da influente Federação de Empresários e irmão do ex-ministro da Indústria e Comércio, Ubaldo Scavone, que renunciou a seu cargo no começo deste mês, quando começou o escândalo.
Scavone é o titular do Banco Unión, o mais conhecido dos bancos nacionais e a única entidade financeira que conta com sucursais em todo o país.
Porta-vozes da equipe econômica do governo estimaram em 300 milhões de dólares a quantia necessária para cobrir o rombo e acalmar os correntistas prejudicados.
Depois da intervenção no Banco Unión, no banco de investimentos Banco de Inversiones e na sociedade privada de poupança e empréstimo Ahorros Paraguayos, aconteceu uma corrida geral de duas semanas às sucursais.
O presidente Juan Carlos Wasmosy conseguiu reter a avalanche de retiradas de fundos e prometeu que se responsabilizará em honrar os depósitos que supostamente foram utilizados pelos banqueiros para tapar seu estado de iliquidez.
O empresário Scavone, considerado até hoje como respeitável homem de negócios, disse à imprensa que a intervenção em seu banco e seu processo tinham um fundo político e atribuiu a responsabilidade da situação ao governo de Wasmosy por ter-se apressado a intervir na entidade financeira.
Seus assessores destacaram que houve toda espécie de conspiração para que empresários próximos ao chefe de Estado se apropriassem, ‘‘a preço vil’’, da entidade bancária, no momento em que uma assembléia de acionistas deveria resolver a fusão com capitalistas nacionais e estrangeiros para que o banco continuasse operando.
Wasmosy disse que as entidades financeiras desviaram o dinheiro de milhares de poupadores e que a intervenção estava estritamente dentro das leis a que os bancos estão sujeitos.
Setores políticos do oficialismo dissidente e da oposição tinham exigido de Wasmosy a demissão de todo seu gabinete econômico ‘‘por inépcia e negligência’’ porque não detectaram a tempo as irregularidades que finalmente repercutiram nos poupadores.
Uma crise semelhante em 1995 forçou o governo a injetar 400 milhões de dólares no mercado financeiro e nessa oportunidade cerca de vinte entidades financeiras e duas companhias de seguro quebraram. Os outros principais envolvidos são dois empresários espanhóis que estão foragidos.

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