Londres O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, foi eximido de qualquer responsabilidade no caso Kelly pelo juiz Brian Hutton, que apresentou ontem um informe no qual acusou duramente a rede pública BBC. O presidente do canal de rádio e TV, Gavyn Davies, renunciou ao cargo.
Blair conseguiu superar o principal obstáculo do informe de Hutton, que podia ameaçar seu futuro político. O premier britânico já havia conquistado uma importante vitória na terça-feira, quando foi aprovado seu impopular projeto de reforma do financiamento das universidades.
Na Câmara dos Comuns, onde pronunciou um discurso poucos minutos depois da divulgação das conclusões de Hutton, Blair ostentava triunfalismo. ''O informe não deixa espaço a dúvidas ou interpretações, o aceitamos plenamente'', declarou.
O documento estabeleceu que nenhum membro do governo britânico divulgou o nome do cientista David Kelly à imprensa, uma semana antes do suicídio do especialista em armamentos em julho de 2003, afirmou Blair.
''Não houve qualquer estratégia oculta ou errônea do governo para divulgar o nome do professor Kelly aos meios de comunicação'', insistiu. ''Peço agora aos que afirmaram reiteradamente que menti sobre isso (...) que retirem esta alegação'', alfinetou, olhando para o líder da oposição conservadora Michael Howard.
O juiz Hutton expôs ontem durante uma hora e meia as principais conclusões de seu informe, no qual eximiu Blair e seu ministro da Defesa, Geoff Hoon.

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