Bagdá - Pelo menos 10 pessoas morreram e 36 foram feridas ontem em dois atentados suicidas contra o exército iraquiano em Bagdá, onde na véspera um juiz do tribunal encarregado de julgar os dirigentes do antigo regime foi assassinado junto com seu filho.
Além disso, o chefe do Partido Democrata Cristão iraquiano, Minas Ibrahim al Yusufi, que tem dupla nacionalidade, iraquiana e sueca, afirmou ter sido transferido à unidade de execuções do grupo que o mantém como refém no Iraque e pediu ajuda numa gravação de vídeo em Bagdá. ''Peço aos homens honestos de todo o mundo e do Iraque, ao rei da Suécia e a Sua Santidade o Papa João Paulo II que atuem para me salvar a vida'', implorou.
A jornalista francesa Florence Aubenas, que desapareceu dia 5 de janeiro com seu guia iraquiano em Bagdá, também pediu ajuda numa dramática gravação de vídeo divulgada na última terça-feira. Na capital, um juiz instrutor do Tribunal Especial Iraquiano (TEI) encarregado de julgar os dirigentes do antigo regime, Barwize Mohamed Marwan, e seu filho Arayan, funcionário do TEI, foram assassinados na terça-feira em frente à casa onde moravam.
Eles são os dois primeiros membros do TEI assassinados. Segundo declarações feitas na segunda-feira por um especialista jurídico ocidental, as atividades do tribunal estão sendo prejudicadas pelas ameaças contra seus membros. Ele não disse, porém, se houve mortos ou feridos.
Na terça-feira, desconhecidos dispararam três vezes contra outro juiz de instrução sem vínculos com o TEI, Wayed al Jadr, ferindo-o gravemente, segundo um responsável do Ministério da Justiça. A rebelião matou 20 juízes desde a queda do regime de Saddam Hussein em abril de 2003, destacou esta fonte.
Criado pela coalizão liderada pelos Estados Unidos em dezembro de 2003, o TEI se encarrega de processar pessoas suspeitas de ''genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e violações das leis iraquianas''. Além disso, sete pessoas morreram e outras 30 ficaram feridas num atentado suicida com carro-bomba na entrada de uma base do exército iraquiano em Bagdá. ''Temos sete corpos'', declarou um funcionário do necrotério. Um médico do hospital Yarmuk de Bagdá falou em 30 feridos: 19 soldados e 11 civis.
Dois dias após o atentado que deixou 118 mortos e 147 feridos na cidade de Hilla (100 km ao sul de Bagdá), duas organizações sunitas, o Comitê dos Ulemás e o Partido Islâmico, condenaram o ataque que foi reivindicado terça-feira pelo grupo do extremista jordaniano Abu Mussab al-Zarqawi, chefe da Al-Qaeda no Iraque.''Declaramos que estas ações terroristas que consistem em matar inocentes e estão proibidas pela religião, independentemente dos autores ou dos motivos'', destaca num comunicado o Comitê dos Ulemás, a principal organização su©nita.

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