Juiz de Foz adia a deportação de membro das Farc
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
Um juiz Federal de Foz do Iguaçu acatou ontem o pedido do Movimento pelos Direitos Humanos e determinou que a deportação de Francisco Antonio Cadena Collazos, participante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ocorra somente daqui a dez dias. Ainda durante a tarde de ontem, enquanto um padre visitava o preso para dar-lhe a unção dos enfermos, uma manifestação pela liberdade do colombiano reunia cerca de 40 pessoas em frente à Polícia Federal em Foz do Iguaçu.
O juiz Federal da 1ª Vara Cível em Foz, Rony Ferreira (o mesmo que expediu o mandado de prisão contra o ex-padre Cadena há dez dias), determinou que a Polícia Federal se abstenha de promover a deportação do acusado até o dia 5 de outubro. Ferreira evitou falar sobre o caso e também sobre as ameaças que teria recebido via fax, informação confirmada pelo presidente da OAB-Foz, o advogado Márcio Rogério de Souza. Várias manifestações de apoio ao preso foram enviadas à Justiça Federal, inclusive cartas anônimas tentando intimidar o juiz, comentou Souza, que também é advogado do Movimento Nacional pelos Direitos Humanos, sem especificar as ameaças.
A sentença do juiz foi recebida com festa por representantes sindicais, assistenciais e também por estudantes que faziam um protesto frente à delegacia da PF. Entre eles estavam o frei Itamar Angonese e a companheira de Cadena, a brasileira Angela Slongo, 38 anos, que visitaram o colombiano ontem à tarde. Angonese foi até a cela para rezar junto com o preso, que havia solicitado a unção dos enfermos da Igreja. Qualquer padre deve acolher o pedido de quem está gravemente doente ou com temendo pela morte, comentou o frei. Já a professora Slongo, que disse viver em endereço fixo com o integrante das Farc em Medianeira (65 quilômetros de Foz) há dois anos, recebeu uma carta manuscrita, confirmando o medo de Cadena. Ele nega as acusações levantadas na Colômbia contra ele e pede ao governo brasileiro que não o envie para lá, pois estará levando uma pessoa à morte.
O acusado, conhecido no Brasil pelo pseudônimo de Olivério Medina, disse que é o relações públicas das Farc no Brasil, mas negou que estivesse envolvido em sequestros e homicídios, apontados no ofício número 61, expedido pela Polícia Nacional da Colômbia. Ainda na carta escrita pelo acusado, ele comentou que jamais omitiu seu paradeiro no País, mesmo durante viagens destinadas à palestras em sindicatos e universidades, e que nunca se apresentou com nome falso às autoridades brasileiras.
O delegado-chefe da PF em Foz, Eudes Carneiro, confirmou a informação sobre a identidade de Cadenas, mas disse que a deportação, determinada pelo Ministério da Justiça, é somente uma questão de tempo. O visto de Francisco já foi cancelado. A única informação que tenho é que ele está preso para ser deportado, comentou Carneiro, destacando ainda que o acusado não seria enviado a Brasília na noite de ontem, como havia sido divulgado.


