O juiz chileno Juan Guzmán, que investiga uma ação penal por genocídio contra o ex-ditador Augusto Pinochet, ordenou ontem para seja determinada a veracidade de uma gravação na qual o militar teria sugerido matar o deposto presidente Salvador Allende. A determinação foi tomada depois do juiz ter escutado as declarações das jornalistas Patricia Verdugo e Monica González, que utilizaram a gravação em sua reportagem radiofônica ‘‘Chile, entre a dor e a esperança’’.
A gravação mostra um diálogo entre Pinochet e o almirante Patricio Carvajal, o ex-chefe do Estado-maior das Forças Armadas, em 11 de setembro de 1973, dia do golpe de Estado que derrubou o governo socialista de Allende. morreu neste mesmo dia na sede do governo com um tiro na cabeça. O golpe estabeleceu um governo militar, com Pinochet na liderança, de 17 anos.
‘‘Eles estão oferecendo um diálogo’’, teria dito Carvajal na gravação, citando um oferecimento do pessoal da casa presidencial de La Moneda, ao que Pinochet respondeu: ‘‘Rendição incondicional, nada de diálogo’’. Depois de outra troca de palavras, Pinochet disse: ‘‘se mantém o oferecimento de tirá-lo (Allende) do país... e o avião cair, velho, quando estiver voando’’.
Verdugo, que recebeu o prêmio nacional de jornalismo no ano passado, garantiu a credibilidade das fontes que lhe permitiram o acesso à gravação. ‘‘Me permitiram escutar um pedaço da gravação na qual conversam o almirante Carvajal e o general Augusto Pinochet. Garanto que a fonte que nos mostrou este material era uma fonte fidedigna’’, afirmou Verdugo.
A jornalista acrescentou: ‘‘O juiz garantiu que o tribunal irá enviar esta gravação à perícia de som na polícia de investigações’’, decisão não confirmada pelo juiz Guzmán, alegando que tal informação é considerada extremamente sigilosa.
A ação contra Pinochet, comandante-em-chefe do Exército, foi apresentada pelo Partido Comunista pelos delitos de genocídio, sequestro, homicídio múltiplo e associação ilícita. Outras organizações chilenas, como a Associação de Familiares de Presos Desaparecidos, anunciaram que nos próximos dias apresentaram ações similares contra o ex-ditador, que em março deixará seu cargo no Exército para assumir como senador vitalício.

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