Juiz argentino proíbe difusão de laudo oficial
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sábado, 20 de outubro de 2001
Das agências<br> De Buenos Aires e Rio 
Um juiz federal argentino proibiu, sexta-feira a divulgação dos resultados do teste sobre a possível aparição da bactéria do antraz numa carta enviada de Miami, Estados Unidos, informaram fontes judiciais. O juiz federal Rodolfo Canicoba Corral enviou um mandado com a ordem ao ministro da saúde, Héctor Lombardo, minutos antes de este iniciar uma entrevista coletiva para informar sobre os resultados de um segundo exame realizado pelo Instituto Malbrán.
O subsecretário de Programas de Prevenção e Promoção da Saúde, Javier Vilosio, estimou na quinta-feira que o envelope vindo de Miami continha a bactéria do antraz ''em 98%'', após uma primeira análise realizada no hospital público Muñiz.
Na nota enviada ao ministério da Saúde, o juiz alegou que ''todo tipo de informação referente ao tema citado (...) deverá ser feito a juiz, de conformidade com o artigo 266 do Código Processual Penal da Nação, que estabelece que o perito deverá guardar reserva de tudo o que diz respeito à sua atuação''.
Extra-oficialmente, indicou-se que nenhuma pessoa foi contaminada na Argentina, apesar da confirmação inicial feita sobre a presença da bactéria.
No BrasilA bactéria detectada no pó branco suspeito, encontrado em uma carta recebida no Rio de Janeiro pelo correspondente do jornal the New York Times não contem antraz, mas um germe não nocivo para a saúde, declarou ontem o presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Paulo Buss.
''Felizmente as provas deram negativo. Não se trata do bacilo do antraz, mas provavelmente de um contaminante ambiental, não perigoso para a saúde'', frisou Buss.
O presidente da Fiocruz acrescentou que os resultados eram definitivos e que o ministro da Saúde brasileiro, José Serra, deverá dar, em breve, em coletiva à imprensa, mais detalhes sobre os testes de laboratório feitos.
Novos casosNos Estados Unidos, outras duas pessoas foram diagnosticadas, sexta-feira, com o mal do carbúnculo, o que eleva para oito o número de casos confirmados nesse país, um deles mortal.
Um funcionário dos correios do Estado de Nova Jersey e uma funcionária do jornal nova-iorquino New York Post desenvolveram uma variação cutânea da doença e estão sendo tratados com antibióticos.
Em PortugalO pó branco encontrado segunda-feira numa oficina da Renault em Lisboa foi identificado como carbonato de cálcio, um dos materiais mais comuns à superfície do planeta, tão inócuo para os humanos como o giz das escolas.


